Números do feminicídio geram polêmica no Fundo Social SP

Números do feminicídio geram polêmica no Fundo Social SP

Sonia Racy

11 de março de 2019 | 16h35

Pietra Bertolazzi/ Foto Cassiano Souza

Corre pelas redes sociais petição defendendo o afastamento de Pietra Bertolazzi, diretora do curso de estética do Fundo Social SP. Motivo? Polêmica criada pela também DJ Pietra a partir da publicação de post, em seu Instagram no dia 2 de março, questionando os números sobre feminicídio no País. Nessa postagem, a diretora — que tem 71 mil seguidores na rede social — afirma que “apenas 8% do número total de assassinatos no Brasil ocorreram com mulheres” e que “quase o dobro” de homens são mortos por violência no País. Em seguida, questiona: “Vejo apenas pessoas em defesa das mulheres. E aí? Quem vai defender esses homens?”, pergunta.

O abaixo-assinado, no Avaaz, conta, na tarde desta segunda-feira, com 487 assinaturas. Critica Pietra que “vem propagando absurdos sobre as mulheres, atacando-as e ao feminismo sem reconhecer a importância do movimento no País que é o quinto que mais mata mulheres no mundo”.

A publicação tem, até agora, mais de 250 comentários, dentre eles o de Gabriela Manssur, do Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica do MP de São Paulo. A  promotora argumenta que a análise de Pietra é equivocada: “Ontem, enquanto você estava almoçando, 536 mulheres foram espancadas por seus companheiros no Brasil (…) Eu a convido a passar um dia comigo na Promotoria de Justiça, atendendo mulheres violentadas de todas as formas” Ao que Pietra respondeu: “Enquanto tudo isso acontecia, 9 vezes mais homens eram assassinados no Brasil. Mas eles não importam, não é mesmo?”, escreveu a DJ colando ao posto, dados publicados pelo Mapa da Violência de 2014.

Contatado, Felipe Sabará, presidente do Fundo, afirmou em nota que  “Pietra Bertolazzi, tem executado um bom trabalho a frente da Escola de Beleza do Fundo Social de São Paulo, colaborando com a capacitação de centenas de mulheres em situação de vulnerabilidade”. Informou que, após conversar com a DJ, ela concordou em deixar “questões ideológicas, de apoio ou não ao movimento feminista, para outro momento”. E, por fim, ressaltou que  a opinião dos funcionários do FUSSP em suas redes sociais pessoais, “não reflete necessariamente a posição do Fundo, que é de gerar oportunidades para todas as pessoas, independentemente de ideologia ou gênero”.