Kramer vs. Kramer na disputa pela Eldorado

Sonia Racy

04 de agosto de 2019 | 01h15

COMPLEXO DA ELDORADO. DIVULGAÇÃO

Estranha, a vida

Em conversas com fontes dos dois fronts da disputa pela Eldorado – Papel Excellence e J&F– ouve-se de tudo, inclusive números diferentes sobre o valor das garantias que a família Batista deu a instituições financeiras para construir a indústria de papel e celulose.

Garantias essas que precisam ser liberadas para que os compradores indonésios assumam a empresa.

Estranha 2

De outro lado, não há dúvidas de que, para efetivação da troca do garantidor, é necessária a anuência do próprio.

Os Batista são acusados pela Paper Excellence de não dar seu aval à substituição entrando como garantidores. Mas se justificam afirmando que os indonésios não têm dinheiro para fazer essa troca.

Estranha 3

O que dizem os bancos credores? Pelo que se apurou no mercado, a Eldorado só tem débito significativo no Brasil contratado no BNDES. São R$ 3,07 bilhões (modalidade direta) e R$ 126,7 milhões (via agentes repassadores).

O restante teria sido bancado pelas “export credit agencies”. Essas ECAs têm em mãos dois terços da dívida da Eldorado.

Estranha 4

Curiosamente, a controvertida Asia Pulp and Paper, pertencente à família de Jackson Wajda – a Paper Excellence pertence somente a ele – deu calote em ECAs há quase dez anos. E essas agências são acusadas de financiar desmatamento, comércio ilegal de madeira e outros mais.

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