‘Novo presidente precisa unir natureza e desenvolvimento’, diz Maitê Proença

‘Novo presidente precisa unir natureza e desenvolvimento’, diz Maitê Proença

Sonia Racy

24 Outubro 2018 | 00h30

FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Grupo de sete pessoas, militantes ambientais, elaborou carta defendendo pontos considerados cruciais para chamar a atenção sobre o fato de que o desenvolvimento do País depende da proteção da natureza. “Não é verdade que não possa haver conservação em harmonia com o desenvolvimento econômico”, explica a atriz Maitê Proença, apoiadora da causa. “A carta é um convite para que, passada a eleição, possamos discutir com o novo presidente como essas duas agendas vão caminhar juntas pelo bem do País e do planeta”. Aqui vão trechos da conversa.

O que vocês esperam?
Pavimentar caminho capaz de unir natureza e diversidade, construindo uma economia mais sustentável. A atmosfera de enfrentamento instalada – com o meio ambiente no debate – não pode estar acima da nossa capacidade de diálogo. Na carta dizemos que o Brasil, com suas florestas, rios e biodiversidade, é apenas um pequeno ponto no meio do planeta – nem à esquerda, nem à direita. O compromisso com esse patrimônio é um compromisso com a vida, no presente e no futuro.

Por que as unidades de conservação são importantes?
São fábricas de bens e serviços. Incluem água, solo fértil, polinizadores, controle natural contra pragas e atenuação de extremos climáticos. Estudos provam que, sem essas áreas, turbinas das usinas hidrelétricas, por exemplo, não poderiam gerar a energia que hoje movimenta nossa economia, somando R$20 bilhões por ano. Lembro também que boa parte da nossa agricultura depende de irrigação e amargaria bilhões em prejuízos.

Acham possível manter preservação e incentivar desenvolvimento econômico?
Não só possível como necessário. Hoje o Brasil tem quantidade de terra suficiente para manter nossa agricultura competitiva sem precisar desmatar mais um metro quadrado da Amazônia e do cerrado. Ou ainda, mexer com qualquer unidade de conservação. Muitos produtores rurais já sabem disso.

O que pode fazer o futuro presidente pela preservação?
Não se esquecer da nossa vocação. O Brasil tem a maior extensão de florestas tropicais do mundo, os últimos grandes remanescentes de manguezais e as maiores reservas de água doce. A ciência nos mostra que a natureza será responsável por pelo menos 30% das soluções que precisamos começar a implementar até 2020 para evitar o aquecimento global. O Brasil tem uma linda história de liderança, reconhecida por todos. E o próximo presidente poderá entrar para a história como aquele que ajudou o mundo a se tornar um lugar melhor. Ou então, como aquele que virou as costas para humanidade e contribuiu para sua degradação.

Entre os 45 signatários, o africanista e escritor da ABL Alberto da Costa e Silva, o cientista Carlos Nobre, o economista Sérgio Besserman, o cineasta Fernando Meirelles e Gisele Bündchen.