Noite de VIPs e mascarados

Noite de VIPs e mascarados

Direto da Fonte

17 de fevereiro de 2015 | 01h01

Alexandre Nero (Foto: Cleomir Tavares)

Se nos quatro dias de folia do ano passado ele passou despercebido pela Sapucaí, desta vez só deu Alexandre Nero. O comendador foi a grande estrela do camarote da Devassa. Munido de máscara – alusão a seu personagem na novela Império, cuja empresa foi acusada de contrabando e lavagem de dinheiro –, o ator não perdeu a viagem ao ser indagado sobre as “máscaras da política”. “Mascarado sou eu. Os políticos são uns f.d.p.! Você está me comparando a eles? Se bem que também estou politizando com vocês (jornalistas)”, afirmou, enquanto era puxado pela assistente, a quem chamou de “minha Marlene Mattos”, que o carregou para o desfile da Salgueiro.

Hélio de La Peña, mesmo atento aos desfiles, ironizou o caso do petrolão: “Olha, a Petrobrás está virando especialista em explorar corrupção em águas profundas”. Otaviano Costa, “muso” do camarote ao lado da mulher, Flávia Alessandra, afirmou que é preciso haver uma mudança na forma de se encarar a corrupção, mas não apenas dos políticos. “É necessário que parta de todos nós, para que algo mude. Caso contrário, será um eterno carnaval”, disparou, de dentro do cercadinho VIP. Antes de voltar ao balcão que dá para a avenida, ele falou sobre a “camarotização da folia”: “Acho que os camarotes cumprem bem sua função. Já o carnaval de rua tem de ampliar suas atitudes, para democratizar a festa”.

Detalhe: mesmo com a noite chuvosa, os efeitos da crise hídrica abalaram o camarote da Devassa. A água dos banheiros já tinha acabado pouco antes de uma da manhã, causando muita reclamação.

Do outro lado da avenida, Bruna Marquezine fez escola com o ex-namorado Neymar: atraiu flashes de todo lado ao adentrar o camarote da Boa – onde se dizia que a moça pediu R$ 100 mil só para dar o ar da graça. Enquanto posava para as fotos e atendia aos sites, sua assessora pedia à produção: “Não podemos levá-la para o cercadinho?”. Único porém? É que o tal “cercadinho” era tão VIP que ninguém sabia nem onde ficava.

Aliás, a chuva prejudicou bastante a primeira noite de desfiles na Sapucaí – chegou a espantar o pessoal que, normalmente, bate ponto nas frisas. A saída, para a maioria, foi trocar o samba pela pista interna, onde reinavam os DJs e outros estilos musicais – reggae, pagode, rap, funk…

Mas ir ao sambódromo e ignorar as escolas não é heresia? “Cada um faz o que quer”, respondeu Ingrid Guimarães. “Venho para assistir aos desfiles, mas também para ver amigos”. Nanda Costa reforçou a tese: “Assistir ao espetáculo é uma opção”. A atriz fez coro com os que preferem os carnavais de rua – “gosto de ficar na pipoca…” –, mas sem radicalizar. Os camarotes, ressaltou, são “superagradáveis, porque as pessoas podem desfilar e, depois, desfrutar da festa”.

Paulinho Vilhena ouviu parte da conversa e se achegou. “Acho que isso está em tudo, não só no carnaval. As redes sociais são uma ‘camarotização pessoal’”, arriscou.

Às 2h manhã, já sem chuva, quando a Vila Isabel adentrou a avenida, o lugar mais cheio do camarote da Boa era justamente… a pista, onde ecoava um bate-estaca eletrônico que faria calar o mais insistente naipe de agogôs. /MARILIA NEUSTEIN E SOFIA PATSCH

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