Noite de bambas

Noite de bambas

Sonia Racy

16 de maio de 2014 | 01h10

Foto: Felipe Panfili

“Gente, merda pra todo mundo. Tranquilidade e foco”, disse Camila Pitanga, antes de subir ao palco do Municipal do Rio, onde, ao lado de Mateus Solano, comandou, anteontem, cerimônia que homenageou o samba nas bodas de prata do Prêmio da Música Brasileira.

Ainda no backstage, pouco antes de dar o braço ao Félix de Amor à Vida, a atriz combinava com a assessora de Zeca Pagodinho data para o cantor gravar seu depoimento no documentário Pitanga – que Camila produz, em parceria com Beto Brant, sobre seu pai, Antônio Pitanga. A participação de Zeca, marcada para semana passada, foi adiada por que uma gripe derrubou o cantor.

Mesmo sem estar 100%, o sambista e os companheiros Almir Guineto, Péricles e Arlindo Cruz comandavam o camarim mais animado e bem alimentado do teatro. Zeca mandou buscar sanduíche de carne assada no Galeto Bicão, boteco ao lado do Municipal.

E a Copa? O cantor já havia dito que pretendia “sumir do Brasil” durante o Mundial, mas deve desistir da viagem à França com a família e ficar no País.

No camarim em frente, Paulinho da Viola e João Bosco colocavam a conversa em dia. “Por causa do caos no Rio”, os amigos de longa data já não se veem com frequência. “Antes de ir a qualquer lugar, ligo para os meus filhos para saber como está a cidade. A resposta nunca é animadora e me rendo à preguiça”, confessa Paulinho. “Se for à noite, ainda tem a Lei Seca, né?”, lembra Bosco. “Já fui parado mais de dez vezes, acredita?”. E sempre sopra o bafômetro? “Claro! O mais engraçado é a expectativa. Como sou conhecido, fica todo mundo esperando o resultado. Quando sai o ‘zero’, as pessoas gritam ‘uhuuu’”, diverte-se Paulinho – que, ao lado da bateria da Portela, fecharia a cerimônia do prêmio (idealizado por um emocionado José Maurício Machline e patrocinado pela Vale) com seu maior sucesso, Foi um Rio que Passou em Minha Vida.

“Vou te contar uma história que nunca contei a ninguém”, diz Paulinho à coluna. “Na minha versão original, não tinha aquele ‘laiá, laiá’. Foi o Jair Rodrigues quem gravou esse fim e, desde então, nunca mais pude cantá-lo sem o ‘laiá, laiá’.”

E prossegue: “Pouca gente sabe, mas, além de Disparada, o Jair cantou uma música minha naquele Festival de Música Popular Brasileira de 1966: a Canção para Maria, que ficou em terceiro lugar”. O músico, morto na semana passada, aos 75 anos, recebeu homenagem especial durante a premiação.

Gilberto Gil, que abriu a noite, fez questão de deixar seu camarim quando soube que Riachão, autor do samba Vá Morar com o Diabo, conhecida na voz de Cássia Eller, estava no backstage. Para delírio do público, o sambista, aos 92 anos, cantou seu sucesso ao lado de Criolo. Foi aplaudido de pé.

Na plateia, Dudu Nobre tinha um olho no palco, outro no Instagram – com direito até a postar uma selfie com os amigos. Lulu Santos, que concorreu ao prêmio de Melhor Cantor na categoria Pop, Rock, Reggae, Hip Hop, Funk, se levantou e foi embora, sem cerimônia, assim que seu concorrente Ney Matogrosso foi anunciado vencedor. /THAIS ARBEX

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