No tom do berrante

No tom do berrante

Sonia Racy

15 Julho 2015 | 01h14

Eduardo Cunha e Gustavo Junqueira (Foto: Paulo Giandalia/Estadão)

Eduardo Cunha defendeu, anteontem, no jantar em que foi homenageado pela Sociedade Rural Brasileira, que seja criada no País uma legislação trabalhista própria para o agronegócio. “Não dá para comparar operador de máquina agrícola com motorista de caminhão. A gente precisa ter condição de discutir a realidade de cada atividade. Ou a gente parte para isso ou vamos jogar fora, efetivamente, uma oportunidade da nossa vocação”, afirmou, sob aplausos entusiasmados. “É contra o País se a gente não fizer isso.”

Recebido, nas palavras de Gustavo Junqueira, presidente da SRB, como um dos líderes de que o Brasil precisa “para mudar e criar as bases de um País moderno”, Cunha dedicou a maior parte dos 17 minutos de sua fala a exaltar o setor e a dizer o que os empresários queriam ouvir. “O Brasil precisa sair do lugar, precisa crescer. E se tem um lugar em que o Brasil pode crescer muito, é aqui com vocês.” Entre taças de Centini tinto ou branco e para ouvidos atentos dos cerca de 100 convidados – de políticos, como Fernando Capez, passando por José Renato Nalini, presidente do TJ de São Paulo, a banqueiros, como Luiz Carlos Trabuco –, o presidente da Câmara disse que recebia a homenagem (a Medalha Mérito Rural 2015) “como um estímulo”. “Não tenho nenhuma vergonha de defender o setor ruralista. Porque o agronegócio contribui muito para o nosso País”, avisou. “A agenda de vocês é a nossa (da Câmara).”

No jantar, em que foram servidos carpaccio de palmito e medalhão de mignon ao molho de cogumelos, muitos queriam saber qual será o tom de seu pronunciamento na sexta. Cunha limitou-se a dizer que fará um balanço de seus seis meses no cargo. Às 21h30, o staff do deputado começou a operação saída – para Brasília – mas teve de esperá-lo terminar sua taça de brownie com sorvete de baunilha. / THAIS ARBEX