Nas telas, sem crise

Nas telas, sem crise

Sonia Racy

21 Outubro 2015 | 01h45

FOTO PAULO LIEBERT/AE

FOTO PAULO LIEBERT/AE

Apesar da crise, Renata de Almeida não se deixou abater. Mesmo com orçamento reduzido, a curadora de um dos maiores festivais cinematográficos do País abre a 39.ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo – hoje, no Ibirapuera – tranquila. “Essa não é a mostra da crise. O nível da programação está igual ao dos outros anos”, conta. Entre os highligts, filmes sobre imigração, exibições ao ar livre e o novo longa de Wolfgang Becker.

A Mostra teve este ano uma redução drástica de orçamento. Como foi o impacto?
Foi um ano um pouco nervoso para todo mundo, com a palavra crise muito presente. A mostra pode ser elástica. O grande problema foi o atraso da definição, porque não sabemos até onde podemos chegar. No fim, porém, entrou um patrocínio que faltava e chegamos ao equilíbrio. Houve sim uma redução, mas não de 40%, como alguns previam no começo.

O que aconteceu?
Tivemos um respiro com a entrada da CPFL e mantivemos muitos patrocinadores. No fim, posso dizer que essa não será uma mostra da crise. Se olharmos o peso da programação, é o mesmo nível de outros anos. No seu ápice, a mostra gera 500 empregos diretos ou indiretos. Claro que é por um período, mas são pessoas trabalhando. Então, acho que não podemos nos deixar prostrar pela crise. Esse foi nosso pensamento.

Como se chegou à decisão de homenagear a The Film Foundation, de Martin Scorsese?
Essa é uma fundação que o Scorsese criou para o restauro de filmes. Eles completam 25 anos agora e até hoje já restauraram 700 filmes. Fiz a opção de homenagear a fundação e não ele, porque – além de seus filmes serem acessíveis a todos – acredito que temos que olhar para esse direito à memória. A mostra tem esse objetivo, de apontar para algumas reflexões. E ele ficou muito feliz com essa opção, topou fazer o cartaz, curtiu bastante.

Há no programa filmes que tratam do tema dos refugiados?
Sim. A Mostra tem também esse caráter meio jornalístico, né? E na nossa seleção tem filmes sobre a Síria, imigração, todas as crises mundiais. Inclusive os dois últimos filmes que selecionamos – A Mãe, de Basil Alkhatib, e Quatro Horas no Paraíso, de Abdul Aziz Mohamad, são sírios e estamos com problemas, porque não estamos mais conseguindo falar com eles para que mandem as cópias./MARILIA NEUSTEIN