‘Não há lugar para mototáxis em SP’

‘Não há lugar para mototáxis em SP’

Redação

03 de agosto de 2009 | 07h13

Adversário dessa saída para o trânsito, Andrea Matarazzo quer também rigor com os motoboys e ironiza candidatura de Ciro Gomes

Se São Paulo fosse um prédio, Gilberto Kassab seria o síndico e Andrea Matarazzo o zelador. Como secretário das Subprefeituras, cabe a ele a missão de administrar a micropolítica da metrópole. E ele leva isso ao pé da letra. Notívago como José Serra, habituou-se a andar de carro pela cidade, de madrugada, anotando tudo o que vê de errado, para depois disparar ordens aos assessores.

Defensor da disciplina, afirma nesta conversa com a coluna que “não há lugar para os mototáxis no trânsito insano de São Paulo” e que para os motoboys é preciso “uma regulamentação rígida”. E, apesar de fumante inveterado, garante que está a favor da lei antifumo: “Acho que com ela, vou conseguir cortar 50% dos meus cigarros,”prevê.

Já tem carro circulando na cidade com o adesivo “Eu usava fretado”. Essa nova lei vai dar certo?
Imagino que a Secretaria de Transportes tenha analisado todos os aspectos dessa questão. É preciso ter certa disciplina em uma cidade como esta. Na região dos Jardins, por exemplo, já não dava mais para transitar em algumas ruas por causa do espaço tomado pelos fretados estacionados. Não havia como passar nem onde parar.

E os mototáxis, são viáveis?
Não existe lugar para mototáxi no trânsito insano de São Paulo. Se o Kassab me perguntasse, diria que eles devem ser proibidos. Para ser garupa em uma moto é preciso saber acompanhar os seus movimentos, difíceis para quem não tem experiência. Sei disto, sou motociclista de fim de semana.

Motoboys?
Acredito que uma regulamentação mais rígida é indispensável. Em nenhum lugar do mundo é permitido que motos de baixa cilindrada trafeguem por vias expressas, como as nossas marginais. No embate entre moto e carro a vítima é sempre o motoqueiro. É só ver as estatísticas e os mortos.

Mudando de assunto, o sr. teve que se dividir entre Geraldo Alckmim e Gilberto Kassab nas últimas eleições. Como conseguiu?
Foi difícil, sem dúvida. Afinal, sou vice-presidente da Executiva municipal do PSDB e, ao mesmo tempo, secretário da Prefeitura. Comuniquei aos dois que seguiria tocando os problemas da cidade, sem me envolver politicamente. Isso gerou muita futrica.

E como anda sua relação com Kassab, que dizem não ser muito boa?
Não existe essa história. Tampouco existe a de que foi o Serra que pediu que eu ficasse no cargo. O que pouca gente sabe é que minha relação com Kassab é antiga. Nos conhecemos há mais de 20 anos, desde quando ele se candidatou a vereador pela primeira vez. Agora, especulação existe sempre… Mas minha relação pessoal com ele é muito boa.

O sr. ainda circula de carro pela cidade de madrugada, anotando coisas erradas?
Gosto disso, e na madrugada se consegue circular melhor. Ando muito pela região central e pela Nova Luz. Sendo secretário, você passa a olhar a cidade como o jardim da sua casa. Tudo começa a incomodar: mureta quebrada, calçada esburacada. Às vezes, em vez de prazer isso vira martírio, uma obsessão. Vou telefonando para os encarregados – o pessoal da limpeza, a polícia – e deixando recados.

Por mais que se mexa na Cracolândia, viciados e traficantes acabam voltando. É um problema sem solução?
Esse é um problema crônico das grandes cidades. Quando o Serra assumiu havia ali um problema policial e urbanístico. E um outro, fundiário: lotes pequenos e documentação ruim. O fato é que a polícia não saiu mais da área e o tráfico nunca mais se instalou. O que há, hoje, é o microtráfico, que manda o crack por meio do próprio viciado. Os traficantes se infiltram no meio dos moradores de rua. Não é fácil tirá-los de lá. Na última operação, fizemos 320 abordagens, 60 encaminhamentos e só 12 aceitaram se tratar.

É a favor da política de redução de danos?
Acho que é uma das alternativas, mas não como vinjha sendo feito. Tinha uma ONG que levava um estojinho com seringa, cachimbo, água destilada e manteiga de cacau e distribuía para crianças. Isso é um absurdo.

Antifumo, lei seca, PSiu. Com tanto rigor, como fica o pessoal da boemia?
Em Londres você tem lei seca e nem por isso mudou a boemia. Paris idem, Buenos Aires também. Com relação ao som, basta o estabelecimento estar preparado para isso.

A Prefeitura deveria alugar o Pacaembu para o Corinthians?
O estádio é um prédio histórico da cidade, assim como o Teatro Municipal. Está no meio de um bairro tombado, com dificuldade de acesso de carros. Não faz o menor sentido arrendá-lo para time nenhum, o bairro não aguentaria o fluxo permanente de pessoas. Além disso, tem lá agora o Museu do Futebol, que é do Estado.

Como palmeirense, o que está achando de Beluzzo presidente?
A eleição do Beluzzo deu profissionalismo ao Palmeiras. Qualquer empresário, na hora de colocar recursos em um empreendimento, quer saber quem cuida dele. Aprendi uma frase com meu tio, o Ciccillo Matarazzo: o Beluzzo não precisa da instituição para projetar seu nome. É o nome dele que vai projetar o Palmeiras.

Falando de origens: qual é seu parentesco com a cantora Maysa e o senador Suplicy?
A família Matarazzo é uma só. Somos todos primos e para italiano faz pouca diferença se é de 1º ou 2º grau. A mãe do Eduardo Suplicy é prima-irmã do meu avô. O sogro da Maysa era primo irmão do meu avô. O Jayme Monjardim é meu primo. A família é bastante unida, se reúne, se encontra.

Prefere Aloysio Nunes, com 5% nas pesquisas, ou Alckmin, com 30%, para governador?
Muitos fatores interferem na decisão. Essa discussão é prematura. É impossível qualquer previsão.

O que o PSDB vai fazer para evitar novo racha com o DEM em 2010?
O cenário será outro. Desta vez são dois pré-candidatos do mesmo partido. Mas é cedo, falta um ano e meio para a eleição.

O nome de Ciro Gomes para governador, pelo PT, tem chance de prosperar?
Achar que cai aqui de pára-quedas e vai sair candidato a governador mostra que o Ciro não conhece São Paulo. Certamente, o resultado não vai ser bom. Ele não tem afinidade com a cidade.

Por Pedro Venceslau

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