‘Não há adversidade que o povo não vença’

‘Não há adversidade que o povo não vença’

Sonia Racy

10 de fevereiro de 2016 | 01h35

FOTO GRINGO CARDIA

FOTO GRINGO CARDIA

Depoimento à coluna de Zé Maurício Machline (na foto),
idealizador do Prêmio da Música Brasileira, que no ano passado homenageou Maria Bethânia — e que na madrugada desta terça-feira
desfilou, como convidado,
em um dos carros da Mangueira.

“Maravilhosa essa sensação. Já desfilei muitas vezes na vida, nunca antes em carro alegórico, da Mangueira, em homenagem a Maria Bethânia e como convidado especial dela. Convite irrecusável.

Carro da “Abelha Rainha” repleto de amigos e artistas próximos e que fazem parte da vida da cantora. Depois de ter andado pela concentração, sentindo a força da escola, a energia e torcida de seus componentes, fui visitar o carro onde estava Bethânia. Missão impossível. O entorno estava repleto de mangueirenses gritando seu nome, tentando tirar uma foto ou ganhar um olhar daquela que representava o enredo da escola.

Simpática, carinhosa, ela tentava, dentro do possível, atender a todos com sorriso e carinho nos gestos e no olhar. Voltei pro meu lugar, subi ao carro e lá me deparei com Zélia Duncan, empenhadíssima ensaiando o samba-enredo com Chico César, Mônica Salmaso, Fabiana Cozza, Elias Andreatto e Lúcia Veríssimo – que ensinavam a todos os outros que ainda não tinham o samba na ponta da língua.

Degraus acima estavam Ana Carolina e Vanessa da Mata guardando a energia para quando a avenida chegasse. Renata Sorrah e Gringo Cardia dividiam um papel já meio amarfanhado decorando a letra do samba de Oiá. Adriana Calcanhoto oferecia água aos colegas. Moacyr Luz, Jards Macalé e Antonio Pitanga cantavam o samba e acompanhavam o ritmo na palma da mão. No lugar de destaque estavam Caetano Veloso e o filho Tom, animados para o grande momento.

Chegamos à avenida. A pulsação do carro era contagiante, todos cantavam, pulavam, homenageando o público, criando uma cumplicidade de alegria e força para fazer daquele momento um ato supremo de respeito e carinho dedicados a Bethânia. Foi incrível ver a multidão pulando, sambando, fotografando e gritando o nome de seus ídolos incessantemente. Na frente do carro recebíamos o comando da grande rainha do samba, Alcione, que, no mais puro verde e rosa, comandava no chão o nosso desfile.

Que noite! Que lindo ver o dia amanhecer ao lado daquelas pessoas! Hoje, tenho certeza que não existe adversidade que nosso povo não vença. Um Brasil que se une fortemente na alegria pode vencer qualquer zika, pode vencer qualquer crise”.

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