Blocos de rua no Rio, com protestos e bom-humor

Sonia Racy

01 Março 2017 | 00h17

Nomes engraçados, protestos contra Temer e contra Marcelo Crivella, refrões bem-humorados – como “Eu não espero o carnaval chegar pra ser vadia / sou todo dia” deram o tom dos 84 blocos que se espalharam ontem pelo centro e por muitos bairros do Rio.

Repetiu-se também, de novo, a confusão — porque apareceram muito mais foliões do que se imaginava. Havia blocos pequenos que esperavam 4 mil pessoas e receberam 10 mil, e grandes que calcularam 100 mil e juntaram mais de 200 mil. O que, entre outras, dificultava o trabalho da Prefeitura de distribuir de modo adequado os banheiros químicos.

A cruzada feminista marcou presença: não faltaram mulheres com seios de fora e tatuagens temporárias com “Não é Não”, contra o assédio masculino. No protesto político, mais que o Todo Dia, da drag-revelação Pabllo Vitar, o grito que se impôs foi o Fora Temer, repetido por muitos grupos – e que o Cordão do Boitolo entoou com força quando se concentrou no MAM, no Aterro do Flamengo.

O mesmo protesto já tinha acontecido na sexta-feira, com o Rival sem Rival, da atriz Leandra Leal e do produtor cultural Alê Yousseff. Mais tarde, o Minha Luz é de Led, atacou de Lula Lá na madrugada carioca.

O clima se completava com grupos que se dedicavam, simplesmente, a fazer graça – como o Bagunça Meu Coreto, que focava marchinhas “modelo família”, ou o Orquestra Voadora, que misturou rock, jazz, pop, funk, samba, maracatu e frevo, para uma animada plateia no Aterro do Flamengo. A coleção de nomes provocativos incluía Block and Roll, Gambá Cheiroso, Empurra que Pega, Cheiro na Testa e Puts, Perdi o Carnaval. Nem tudo, porém, é graça na folia. Um rapaz que foi defender um garoto que sofria um ataque homofóbico próximo ao Minha Luz é de Led, terminou agredido com garrafas e levou pontos no rosto, no braço e na barriga.