‘Na prática, mulheres estão em desvantagem’

‘Na prática, mulheres estão em desvantagem’

Sonia Racy

05 de novembro de 2015 | 01h30

Foto: Renato Rocha Miranda

Foto: Renato Rocha Miranda

Juliana Paes será a protagonista da próxima novela das 19 da Globo, Totalmente Demais – que tem festa de lançamento hoje no MAM do Rio. A atriz dará vida a Carolina, poderosa editora de uma revista feminina. À coluna, a atriz definiu o novo papel como “um pot-pourri” de todas as editoras que conheceu.  E reclamou da “sociedade patriarcal” do País na qual, em termos salariais, as mulheres “ainda estão em desvantagem”.

Você se inspirou em alguma editora para viver Carolina?
Fiz um pot-pourri de todas as que conheci. Algumas com um jeito mais impetuoso, outras mais doces. De cada um desses temperos usei um pouco, na dosagem do meu entendimento sobre Carolina.

Sua Carolina vai usar o personagem de Fábio Assunção para tentar engravidar. Como encara esse tipo de tipo de relação?
Tenho visto essa experiência como um drama contemporâneo. São mulheres bem-sucedidas profissionalmente que sentem o relógio biológico, mas ainda não têm um parceiro.

A Carolina é capaz de tudo para conseguir o que quer. Já teve que ir contra seus princípios para conseguir algo?
Minha filosofia é simples: ajo com os outros como gostaria que agissem comigo.

Você viverá uma mulher forte, que comanda uma revista. Como enxerga a diferença salarial entre os sexos, que persiste em pleno ano 2015?
Essas diferenças são reflexo de uma mentalidade machista e de uma sociedade patriarcal. Já se entendeu que somos tão capazes, eficazes e produtivas quanto os homens, mas nem sempre os salários estão no mesmo pé. Na prática as mulheres ainda estão em desvantagem.

No seu meio, atores ganham mais que as atrizes. Em Hollywood muitas protestam. Já se sentiu injustiçada?
Não comparo meu salário com os dos colegas. É assunto muito pessoal. Nunca procurei saber quanto meus colegas homens ganham.

Sentiu a crise econômica afetar o seu trabalho?
É fato que todo mundo está sentindo a crise. Temos que pensar no longo prazo. As mudanças vão levar um tempo, mas tenho certeza de que irão acontecer se mantivermos uma postura mais atuante. A internet é uma ferramenta fundamental, manter o debate político aberto entre todos só deve fazer bem em uma democracia. Torço por um povo mais consciente de seus direitos, mais exigente, menos conformado.

A novela trata de transformação. Acredita na transformação das pessoas, em especial dos políticos?
Acredito na capacidade dos nossos políticos de fazer as transformações necessárias, só não estou certa de que exista esse desejo pelas reformas mais profundas. O fato é que é preciso ter vontade acima de tudo. /SOFIA PATSCH