Na cela com Battisti

Sonia Racy

11 de janeiro de 2011 | 23h01

Eduardo Suplicy visitou Cesare Battisti anteontem na Penitenciária da Papuda, em Brasília. O senador levou cartas de amigos ao ex-ativista, condenado à prisão perpétua na Itália por terrorismo.

Como Battisti recebeu a decisão de Lula mantê-lo no País?

Ficou muito aliviado. E está com expectativas enormes de ter uma vida normal no Brasil. Quer se dedicar à escrita.

O que ele achou da vitória de Dilma?

Espera que a presidente confirme a decisão de Lula. Também comentou que assistiu ao programa Roda Viva com José Eduardo Cardozo, em que o ministro se manifestou favorável à decisão de Lula. Mencionou especificamente a parte em que Cardozo disse que a decisão de extraditar é do chefe do Executivo.

O sr. levou o Renda Mínima?

Há bastante tempo eu dei a ele o meu Renda Básica de Cidadania e a cartilha do Ziraldo.

Como ele está sendo tratado?

Com muito respeito. Foi atendido por uma dentista, e quando teve hepatite recebeu todos os cuidados. Aproveita o tempo para ler e escrever muito. Só não sei se é nova obra.

Battisti reclamou de algo?

Está triste porque o Supremo ainda não autorizou a sua liberdade. E espera que a decisão não demore.

O que ele tem a dizer sobre acusações de que executou cidadãos comuns?

Reconhece que em 1976 foi membro do grupo Proletários Armados pelo Comunismo. Mas afirma que nunca matou. A sua condenação é baseada em depoimentos de ex-companheiros beneficiados pela delação premiada. Ele me disse: “Nunca um juiz na Itália me perguntou se matei alguém”.

PAULA BONELLI

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