Na boca do gol

Na boca do gol

Sonia Racy

17 Setembro 2013 | 01h12

Foto: Iara Morselli/Estadão

A MP 620, que pede mais transparência e democracia na política esportiva do Brasil, foi aprovada terça-feira passada pela Câmara dos Deputados e deve ser votada hoje à noite no Senado. A coluna conversou com Raí, um dos líderes da associação Atletas pelo Brasil, sobre as mudanças propostas pela medida em discussão.

Está otimista com a votação no Senado?

Visitamos as lideranças da Casa na semana passada – e elas se manifestaram a favor da MP. Está um ambiente bem positivo, acho que o momento é propício para mudanças, com as manifestações dos esportistas e os gritos das ruas. Mais transparência, bom uso do dinheiro público, as pessoas exigem essas mudanças, e a emenda representa mais democracia no esporte. Acho que o Senado tem uma grande responsabilidade nas mãos. Estamos a um passo de uma vitória que vai mudar a história do esporte no Brasil. Se aprovada, todas as confederações de todas as modalidades terão de seguir esse modelo, porque a maior parte delas recebe dinheiro público.

E no caso da CBF?

Segundo me consta, ela não recebe dinheiro público há algum tempo – para ter mais independência. Mas a MP vai acabar atingindo a CBF, porque as federações de estado, que elegem o presidente da confederação, terão de cumprir os requisitos da emenda. Além disso, os atletas também participarão das votações, o que significa que a CBF terá menos controle.

Um ponto crítico na votação na Câmara foi o que rege o sistema de reeleição. Acha que será também no Senado?

É um ponto que pode ameaçar o poder de certos grupos, e alguns senadores podem se sentir inibidos por causa disso.

A bancada da bola do Senado pode atrapalhar?

Ela já teve mais poder. Hoje, o País vive um momento mais democrático, mais transparente. E a população está cobrando isso. Essa influência da bancada da bola é muito menor hoje do que em outros tempos.

Você morou por muito tempo na França. Como é o modelo esportivo de lá?

As federações também são subsidiadas pelo ministério, mas têm a missão de formar educadores para disseminar a prática de esporte pelo país inteiro. Todos os bairros têm centros esportivos que permitem o acesso a todos. Por isso estou bastante confiante na votação de hoje. Politicamente falando, acho que será constrangedor para o Senado barrar essas mudanças tão necessárias para democratizar o esporte no Brasil. /SOFIA PATSCH