Na abertura da Flip… politização no ar

Na abertura da Flip… politização no ar

Sonia Racy

28 Julho 2017 | 00h45

PILAR DEL RÍO NA FLIP

PILAR DEL RÍO NA FLIP. FOTO:MARCELA PAES/ESTADÃO

Quem entra na Livraria da Travessa, montada ao lado da Igreja da Matriz, em Paraty, já percebe, na 15.ª edição da Flip, que a politização está no ar. “Autores negros”, “feminismo e literatura das mulheres” e “literatura africana” são as categorias em destaque na loja. “É fundamental que seja assim e reflete a pressão da sociedade. O direito das mulheres, o dos negros. Acho ótimo”, ponderou à coluna Drauzio Varella. Ele esperava na fila, com a mulher, a atriz Regina Braga, para ocupar a mesa de abertura do evento – que teve Lázaro Ramos interpretando trechos do diário de Lima Barreto, o escritor homenageado deste ano. “Lima Barreto nunca se calou. A feira está de parabéns, mas não podemos esquecer os milhares de Limas, negros que morrem assassinados e sem educação”, gritava no megafone a participante de um protesto, na entrada do evento.

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Sem entender muito a movimentação que ocorria junto à porta da igreja, o islandês Sjón (ou Birgir Sigurðsson, famoso pelas canções que compõe para Björk e Lars von Trier), que veio participar de uma das mesas, tomava sozinho um drinque em um restaurante da praça. Entrou para a primeira mesa com seu tradutor e um de seus livros no bolso.

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Até tentativas de manifestação aconteceram no primeiro dia da Flip. Noemi Jaffe, uma das convidadas, tentou organizar com outros escritores um ato pelo carroceiro Ricardo Nascimento, morto pela polícia no início do mês. “Tinha pensado em fazer, mas não deu certo, infelizmente”, explicou. Pilar del Río se impressionou com o número de pessoas que estiveram na conversa entre ela, Paloma Amado e Lilia Schwarcz, na Casa Amado e Saramago. “Ficou muita gente pra fora. Não esperava”, afirmou.

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Para além da literatura, negócios – envolvendo livros, lógico – já foram fechados. A Todavia assinou com o poeta e performer Ricardo Aleixo. Ano que vem, publicam antologia de 25 anos da obra do mineiro.

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Andando pelo centro histórico quase o dia todo, a curadora da edição, Josélia Aguiar, trouxe François, seu gato de quase 20 anos. Fez questão de arrumar uma pousada que aceitasse o bichinho./ MARCELA PAES