Mulheres em pauta

Mulheres em pauta

Sonia Racy

22 de novembro de 2012 | 01h06

Ruth Fremson/The New York Times

Tina Brown, editora-executiva de Newsweek e The Daily Beast, trará o Women in the World de NY para SP. Participarão do encontro dia 4, na Casa Fasano, a ex-secretária de Estado dos EUA Condoleezza Rice, a ativista egípcia Dalia Ziada, além de Marilia Gabriela e Xuxa. Abaixo, trechos da entrevista concedida em Nova York ao correspondente de o Estado.

Por que o Women in the World em São Paulo?

Queríamos reproduzi-lo em outras partes do mundo. São Paulo era local ideal, pois é uma cidade cosmopolita, com grande interesse em questões internacionais. Também tem o Nizan Guanaes, um visionário, que se empenhou em levá-lo ao Brasil.

Um dos focos do evento é o Oriente Médio. Regimes seculares, nos quais as mulheres tinham alguns direitos, têm sido substituídos por governos mais religiosos, embora eleitos. O direito ao aborto na Tunísia, por exemplo, está em xeque. Qual sua avaliação?

Por isso estamos levando a Dalia Ziada, que falará sobre conquistas e perdas das mulheres na Primavera Árabe. Faz tempo que elas buscam mais direitos nesses países. Antes, havia apoio até de figuras como Suzanne Mubarak, mulher do ex-líder egípcio. É importante ver como ficará com os processos de democratização. As mulheres não devem ser deixadas de lado.

Como pode ser vista a aliança dos EUA com a Arábia Saudita, país onde há, praticamente, um apartheid contra as mulheres? Hillary Clinton não poderia fazer mais por elas?

É importante ressaltar como algumas mulheres têm desafiado a proibição para dirigir, por exemplo. As próprias filhas do rei Abdullah têm agido em busca de mais liberdade. E Hillary vem promovendo os valores liberais.

O que acha de a presidente Dilma ter se manifestado, em 2010, contra o direito ao aborto, posição certamente vista como conservadora nos EUA?

Talvez tenha sido por pressão política. Existem muitas forças contra o direito ao aborto. Nos EUA, se Obama não houvesse vencido, talvez o direito ao aborto fosse revertido com novas nomeações na Suprema Corte.

Obama, em sua campanha, não citou uma só vez o Brasil. O que acha disso?

Os americanos, em geral, são ignorantes em relação à América Latina. O Brasil é muito importante, e os EUA deveriam prestar atenção. Mas só sabem falar sobre o Oriente Médio./GUSTAVO CHACRA

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.