Moreno, o caça-talentos da orquestra do Mozarteum

Moreno, o caça-talentos da orquestra do Mozarteum

Sonia Racy

26 Dezembro 2017 | 00h58

MAESTRO CARLOS MORENO. FOTO IARA MORSELLI / ESTADÃO

As vagas eram 66, e os candidatos foram aparecendo, de todos os lugares. Gente que toca violino, violoncelo, fagote, flauta, contrabaixo, trompa, oboé, clarineta… no total foram 237 interessados, de sete Estados brasileiros e até alguns do exterior. Feita a seleção, o maestro Carlos Moreno juntou ao time 16 músicos profissionais… e estava formada a “turma de 2018” da Orquestra Acadêmica Mozarteum Brasileiro.

Sua missão: abrir horizontes, palcos e vida profissional para jovens músicos numa área difícil, ingrata, quase inacessível sem ajuda pública. A primeira turma foi montada em 2016 e atuou ao longo de 2017. Para esta, o programa para 2018 já está definido. “Vamos ensaiar o grupo em São Paulo e dia 3 de março estreamos no 7.º Música em Trancoso, na Bahia”, avisa Moreno. “Faremos duas apresentações lá e outras duas em São Paulo no ano que vem”, diz o maestro, um dos pais da criança ao lado da diretora artística do Mozarteum, Sabine Lovatelli.

Moreno está à vontade na tarefa. Violinista, regente, requisitado para concertos na Europa e EUA, ele entrou “de cabeça” no projeto há três anos e se dedica com gosto ao desafio de criar uma ponte para que os jovens criem experiência e, com ela, empregos. “É um trabalho que dá frutos. A vocação musical do brasileiro para a música é uma coisa única, fantástica. Nisso somos um país privilegiado”, diz ele. E quem sustenta tudo isso? “As contribuições de empresas e entidades culturais, via Lei Rouanet. E até ajuda de interessados e amantes da música erudita nos EUA e na Europa. A Sabine se vira para manter o sonho em pé.”

No festival de Trancoso, por exemplo, Moreno organiza workshops com jovens músicos e coordenadores de projetos. Fala de percepção musical, música de câmara, abordagens técnicas sobre instrumentos. Mas a cereja do bolo, mesmo, para os bolsistas, é a convivência com grandes solistas internacionais convidados para a temporada do Mozarteum. No programa de 2018, por exemplo, os jovens da nova turma serão regidos em um dos programas pelo alemão Wolfgang Roese. Nos dois concertos de São Paulo, a OAMB acompanhará a soprano russa Ana Netrebko e o tenor argelino Yusif Eyvasov.

“Depois, os bolsistas que se destacarem podem ser selecionados para bolsas de estudos no exterior”, diz Sabine. E Moreno ressalta: “Mas há momentos que compensam a trabalheira. Como você organizar um evento desses em Trancoso… e ver a sala superlotada!” / GABRIEL MANZANO