Monte Líbano

Monte Líbano

Sonia Racy

23 de agosto de 2014 | 01h01

Nadine Labaki, cineasta libanesa, ficou muito entusiasmada em participar do filme coletivo Rio, Eu Te Amo, que estreia no dia 11. Premiada pelo longa E Agora, Aonde Vamos? – sobre mulheres que tentam diminuir o conflito religioso em uma aldeia no Líbano –, ela acredita que as mulheres são essenciais para a paz e que o cinema tem um grande impacto nesse processo.
Nadine comentou, em entrevista por telefone à coluna, as semelhanças entre brasileiros e libaneses e incentivou mulheres a “pegarem mais em câmeras”. A seguir, os melhores trechos da conversa.

Como foi filmar no Brasil? Já conhecia algo do País?
Foi uma experiência maravilhosa. Conhecia muito pouco antes, mas tinha algumas sensações. Sabia do calor das pessoas, da relação com a religião… E me apaixonei pelo País.

Notou semelhanças entre brasileiros e libaneses?
Sim, muitas! Não é surpresa que esteja aí uma das maiores comunidades libanesas do mundo. O jeito afetivo e a generosidade na aproximação com as pessoas são algumas das semelhanças entre os dois povos.

Qual a história que você conta em Rio, Eu Te Amo?
É sobre um menino que recebe uma ligação de Jesus e todos os anseios e desejos dele nessa situação.

Em seu último longa E Agora, Aonde Vamos?, você mostra, de maneira bem-humorada, como as mulheres lidam com conflitos e guerra. Acha que faltam vozes femininas?
Acho que as mulheres lidam com essas questões de maneira mais sensível. Acredito muito que temos uma forma diferente de olhar as coisas. Nesse sentido, as mulheres podem ter mais impacto nessas ações contra as guerras, a favor da união. Temos um grande papel nas sociedades. Como mulheres, como mães, eu acredito que podemos fazer a diferença se decidimos enfrentar as coisas de forma mais ativa.

No filme, uma das mulheres chega a mudar de religião para convencer o marido a parar com o conflito.
Isso é levar a tolerância ao seu extremo e até virar o outro. Só quando você decide isso é que passa a compreender o outro de verdade. Por isso, no filme, coloquei uma das mulheres dizendo para o marido: “Agora você vive com o inimigo (de outra religião). O que você vai fazer?”.

O filme foi um sucesso de bilheteria no Líbano.
O próprio nome do filme é algo muito dito, em árabe, aqui no Líbano, no contexto das guerras. Vivemos no coração de todos esses conflitos. O filme tem tido cada vez mais visibilidade e criado muitos debates.

Faltam mulheres diretoras de cinema?
Sim, claro. Essa voz é muito importante. Um filme, para uma mulher, é uma forma de se expressar. Quando uma mulher decide fazer um filme, não é porque quer apenas contar mais uma história; trata-se de um grito de expressão, uma forma de colocar seus sentimentos, opiniões, para o mundo. Isso é muito importante. Cada vez mais mulheres percebem o impacto poderosíssimo que um filme tem na vida das pessoas. Para mim, é uma das armas mais poderosas de expressão e de paz.
/MARILIA NEUSTEIN

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