Monsieur caviar

Direto da Fonte

13 de junho de 2013 | 00h42

Para convencer o armênio Armen Petrossian a se instalar no Brasil, Antonio João Abdalla Filho jogou a isca: falou em criar esturjão por aqui. Isso ainda não aconteceu, mas já existem, desde o ano passado, duas lojas da marca no País: uma no Shopping Cidade Jardim; outra no Iguatemi.
A operação brasileira é tocada por Patrícia Abdalla e tem como sócio também o empresário Joseph Tutundjian. Formato adotado pelo mundo. “Terceirizamos algumas coisas, como a criação do esturjão. Mas controlamos, milimetricamente, a qualidade”, explicou monsieur Petrossian à coluna – em rápida passagem por SP para acompanhar, de perto, sua mais nova filial. Atenção: o herdeiro não fala em preços ou faturamento. Não precisa, a empresa é de capital fechado.

Ao longo dos anos, apesar da demanda, o caviar não se tornou mais acessível. Por quê?
Se você olhar os preços nos últimos doze anos, são os mesmos de agora. Significa que houve redução, já que a inflação atacou o mundo todo.

Manter o preço alto é estratégia para valorizar o produto?
Não exatamente. É que a produção leva de 10 a 12 anos no nosso caso. Não é um peixe fácil. Dá ovos e temos de abrir a barriga dele para retirá-los. O peixe não sobrevive. Até tentamos costurá-lo de novo, mas não deu certo.

Depois do Beluga, fala-se que o Petrossian é o melhor caviar. A que o senhor atribui isso?
Somos a primeira empresa de caviar do mundo. O segredo? O produto, não o dinheiro. E criatividade. Invento novos produtos, maneiras de consumir, crio detalhes e história.

A Petrossian é uma empresa de capital fechado?
Sim, somos uma empresa familiar. É verdade que, no mercado de luxo, muitas abriram capital ou venderam controle. Entretanto, vender para uma corporação maior é escolher o lucro imediato. Nós optamos pelo valor futuro. Poderíamos ser 20 vezes maiores, mas escolhemos ser
20 vezes melhores.

Por que o Brasil?
Pelo encanto e afinidade. Encontrei isso no Toninho, no Joseph. Soube mais sobre o consumidor brasileiro. Descobri que ele concilia mesa e
amigos. Vocês têm a cultura da família, é algo natural. É como o conceito oriental, me sinto bem aqui. Já os americanos, ao apertar a mão de alguém, pensam primeiro em como fazer dinheiro. É ótimo, mas não é minha filosofia.

Mas aqui os impostos duplicam o preço do caviar. Mesmo assim vale a pena?
Não entendo o País taxar caviar. Afinal, não existe produto similar aqui, não impacta na arrecadação e é injusto. Compramos seus produtos na Europa sem muitas taxas, é como se a troca não valesse.

O caviar é feio e tem cheiro ruim. O que atrai as pessoas?
A sensação que se tem quando colocado na boca. É o mais sensual dos alimentos.

O senhor ainda come caviar?
Todos os dias.

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