Modelo, atriz e…engajada

Sonia Racy

23 de junho de 2010 | 08h11

LIYA KEBEDEokok

A atriz aproveitou a ocasião e chamou a atenção para a luta contra mortalidade infantil, causa de sua fundação.

 

O tabu da circuncisão feminina na África é tema do filme Flor do Deserto, que estreia sexta-feira, baseado no best seller homônimo da somali Waris Dirie. Para interpretar a autora do livro, que também foi modelo e embaixadora da ONU, a produção selecionou a etíope Lyia Kebede. Coincidência ou não, a atriz também é top model internacional e possui uma fundação que luta contra a mortalidade de mães e crianças após o parto.

Lyia esteve em São Paulo para a pré-estreia do longa e recebeu a coluna para conversa antes de partir para uma sessão de compras na Rua Oscar Freire, nos Jardins.

Como surgiu o interesse pelo papel de Waris Dirie? Eu li o livro, adorei a história e falei para o meu agente: “Quero fazer esse papel, por favor, encontre as pessoas”. Então fiz o teste. O diretor e o produtor gostaram e ficaram mais interessados ainda quando souberam das semelhanças que eu tinha com a Waris Dirie (o trabalho como modelo, as atividades da minha fundação, etc).

O que sentiu quando leu o livro pela primeira vez? Fiquei muito tocada com o projeto. O livro é lindo, pessoal ao extremo. Achei totalmente inspirador. Ao mesmo tempo, foi a primeira vez em que percebi a dívida que eu tinha com questão da mutilação feminina.

Como foi a sua preparação? Usei o livro, reli os parágrafos diariamente. Eu não trabalhei junto com a Waris. Só a conheci no último dia de filmagem porque ela preferiu ficar longe do set. Em compensação, tive a oportunidade de começar as filmagens pela Somália e, portanto, fiquei imersa na ‘África dela’. Conversei muito com as mulheres do vilarejo e compreendi os conflitos daquele lugar.

Como vê o cenário atual da circuncisão feminina? A prática tem sido cada vez mais contida. Está mudando um pouco, mas não o suficiente. Há organizações que fazem um trabalho maravilhoso. Eu visitei algumas comunidades onde esse trabalho é desenvolvido e mostra que 8% das mulheres não são mais circuncisadas. Mas ainda é necessário continuar a luta.

Nesse contexto, qual é, na sua opinião, o alcance do filme? O filme, definitivamente, desperta algo. O produtor levou há dois meses o longa para ser projetado no vilarejo onde filmamos. Foi muito interessante e difícil porque a maioria das mulheres de lá é circuncisada. Muitas são contra e outras a favor. E muitos homens assistiram pela primeira vez. Isso porque eles não acompanham a cirurgia, só o depois. Então, suscita inevitável discussão.

Por Marilia Neustein

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