A moda como ato político

A moda como ato político

Sonia Racy

27 de abril de 2016 | 01h30

Brazilian designer Ronaldo Fraga appears at the end of the presentation of his collection during Sao Paulo Fashion Week show in Sao Paulo

Depois de surpreender a plateia do primeiro dia de SPFW – colocando cinco refugiados para desfilar para sua marca –, Ronaldo Fraga falou à coluna sobre a escolha do tema e o momento político no mundo.

Por que escolheu jogar luz em um tema político e dolorido como é o dos refugiados?
Acredito que o homem é um ser político e a moda é um ato político. A escolha do que vestir é importante para o personagem que se quer ser no mundo. Isso sempre me interessou. E, sim, vivemos tempos perigosos, não só no Brasil, mas no mundo inteiro.

Como foi esse processo? Acha que a moda pode ajudar?
Sempre fui um aficcionado do noticiário de fora. E essa nova onda migratória da Europa coincidiu com uma viagem que fiz à África. Para mim, ficou claro que somos todos refugiados. Claro que escolher isso como tema foi difícil, porque é um assunto espinhoso. Mas acredito que a moda, assim como arte, tem o papel de olhar para esses terrenos áridos e resgatar a poesia. A experiência com os refugiados foi muito transformadora. Ouvir a história deles é algo profundo – capaz de humanizar.

Vivemos uma crise política no Brasil. Como vê o desenrolar desta crise?
Vejo que é hora de sinalizar outros caminhos. Não só no Brasil. Na Europa a extrema direita quer fechar as portas para os refugiados, mas não adianta, esse é um movimento do ser humano. Aqui no Brasil, sou contra o discurso de esquerda versus direita. Temos que construir a terceira via. Acho o Congresso um horror, mas a votação do impeachment foi boa para mostrar a cara dos deputados, de esfera do poder. Sou contra Temer, Cunha, Dilma e Lula… O que me interessa é o que iremos construir como alternativa. / MARILIA NEUSTEIN

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