Missão: superar

Missão: superar

Sonia Racy

13 Janeiro 2015 | 01h20

Foto: Robson Fernandjes/Estadão

Surfista, vida voltada ao esporte, competidor, Paulo Eduardo Chieffi Aagaard, o Pauê, estava indo treinar quando uma locomotiva, transitando apagada em uma linha que deveria estar desativada, o pegou. Tinha 18 anos e perdeu as duas pernas. Hoje, aos 32, o santista é exemplo para muita gente: tornou-se o primeiro surfista biamputado do mundo, triatleta e campeão mundial. Agora, sua vida, que já havia se tornado livro e documentário (O Passo de um Vencedor), acaba de ganhar um portal na internet, cuja missão é reunir histórias de superação como a dele. Pauê conversou com a coluna no intervalo de uma de suas palestras motivacionais, que realiza há mais de doze anos em empresas pelo País afora.

O que é o portal que você acaba de lançar?
Ele nada mais é do que uma súmula do documentário, um aglutinador de depoimentos, com muito mais material do que o usado no filme.

Mas o documentário está lá na íntegra?
Não, a gente ficou com um certo medo de fazer isso, porque tudo que é fácil demais acaba sendo pouco valorizado no Brasil. Mas haverá datas em que ele será exibido. E vamos fazer hangouts com a equipe de filmagem, os diretores, comigo etc.

Há uma área para que os internautas postem histórias?
Fizemos pensando em criar um banco de dados. Chama-se Você no Passo de um Vencedor. Não precisa ter a ver com deficiência física. O importante é que seja de superação.

Ou seja, a ideia é fazer do portal uma central de vídeos?
E, no futuro próximo, queremos que isso tudo engate em um programa de TV. Com histórias diversas. Ainda não tenho um formato definido, mas, a grosso modo, esse programa seria uma espécie de Passos de Vencedores. Uma extensão do documentário, da minha história e desse portal.

O documentário vai chegar ao circuito de cinema?
Não é o foco, mas claro que seria interessante. Por enquanto, estamos trabalhando para levar o filme às cidades por meio de sistema de crowdfunding. Quero chegar, principalmente, onde o cinema não chega. A ideia não é lucrar.

Pretende participar dos Jogos Paralímpicos de 2016?
Não tenho essa intenção, até porque criei um laço diferente com o esporte. Hoje, minha competição é, sobretudo, ajudar quem precisa, quem se encontra em uma situação parecida com a que eu vivi. Isso é o que realmente me realiza. /DANIEL JAPIASSU