Missão: Diálogo

Missão: Diálogo

Sonia Racy

20 de fevereiro de 2015 | 01h10

Foto: Iara Morselli/Estadão

Carola Matarazzo tem gastado muita sola de sapato. À frente da Liga Solidária desde 2012 – e candidata única para mais um mandato de três anos –, ela quer reformar o espaço esportivo da entidade (projeto de R$ 900 mil) e está concluindo a primeira fase de um longo processo de profissionalização da casa (que completa 92 anos de atividades em SP). Além disso, dará o start, dia 15 de março, em ação-piloto para crianças em situação de altíssima vulnerabilidade na zona oeste da cidade – graças a uma parceria com a British Telecom. A seguir, ela fala sobre os desafios do Terceiro Setor, ausência de diálogo no Poder Público e a necessidade de que todos pensem em conjunto para resolver os problemas sociais do País.

Falta dinheiro?

Falta. Pelos últimos números do IBGE, existem 390 mil entidades sociais no País. Movimentamos 2,5% do PIB. O problema é que os recursos públicos e privados são limitados e todos nós batalhamos por esse orçamento, que não vem aumentando. Aliás, imaginamos que, em 2015 e 2016, deve até diminuir.

Qual o budget anual da Liga?

Cerca de R$ 70 milhões. Sendo que precisamos captar 8% disso – em torno dos R$ 5 milhões – só para fechar as contas. Não é brinquedo.

O relacionamento com o Poder Público tem melhorado?

Nos últimos anos, os governos passaram a olhar para entidades como a Liga além da caridade e do assistencialismo. Isso melhorou muito o relacionamento.

Qual o maior problema?

O que mais chama a atenção é a falta de comunicação entre as várias secretarias sempre que uma questão de vulnerabilidade social se apresenta. Vejo uma boa vontade imensa, mas muitas ações acabam não saindo por causa da máquina, do ego de algumas pessoas, da falta de continuidade dos projetos e de transparência. Isso dificulta muito o nosso trabalho.

Qual a saída?

A curto prazo, não vejo nenhuma. Tínhamos de estar todos com a mesma motivação, de solucionar os problemas: poder público, iniciativa privada, Terceiro Setor e cidadãos comuns. Nenhum de nós pode se furtar a ajudar na solução dos problemas. Só essa consciência coletiva é capaz de mudar o País. /DANIEL JAPIASSU

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