Missão: Campos

Missão: Campos

Sonia Racy

01 de agosto de 2014 | 01h10

Foto: Arquivo pessoal

Às vésperas de completar 62 anos de carreira, Flávio Varani, um dos mais requisitados e respeitados pianistas brasileiros, fecha o Festival de Campos do Jordão amanhã, tocando Mozart. Radicado nos EUA, onde é artista residente e professor catedrático da Oakland University, ele foi aluno de Magda Tagliaferro em Paris e tocou para Villa-Lobos ainda adolescente – compositor que é sua especialidade. Ele conversou com a coluna pouco antes de chegar ao País.

Por que o Concerto em Fá Maior, KV459, de Mozart?

Foi uma sugestão do festival. Eu já tocava cinco concertos de Mozart, mas este não estava no meu repertório. Para mim, foi fantástico, pois pude me envolver numa nova obra do mestre. Estou excitado com esse encontro.

Como foi a experiência de estudar em Paris com Magda Tagliaferro e tocar para Villa-Lobos?

Minha mestra era uma pessoa fora do comum. Sua inteligência era impaciente, não tolerava lentidão de reações. Inspirava a nós todos pelo seu compromisso com a música. Um dia, me telefonou e disse que Villa-Lobos e sua esposa, Mindinha, iriam assistir a uma sessão dos alunos e não havia ninguém que tocasse sua obra. A ordem era que eu estudasse o Momoprecoce, que ele havia dedicado a Magda. Depois de minha apresentação, o casal, com a simpatia que era sua marca, conversou comigo. Em seguida, Heitor se virou para Mindinha e disse: “Eu te disse que ele era brasileiro”.

Algum projeto de CD ou DVD em andamento?

Como sou tagarela, documentário é a minha praia. Um deles foi realizado, recentemente, no Amazonas, no lindo teatro de Manaus e navegando nas águas de rios pela floresta amazônica, visitando índios que fabricam instrumentos e fazendo música com eles. O diretor é o austríaco Roland Hagenberg, que fez parte do grupo de Andy Warhol.

Como está sua agenda de apresentações?

Em outubro e novembro, França. Depois do Natal, Japão. Já estou com saudade da minha casa, na Carolina do Sul, do meu piano e do meu carro. Gosto de dirigir, sem destino, pelas montanhas dos EUA. /SOFIA PATSCH E DANIEL JAPIASSU

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