“Meus filhos não vão pra escola na pandemia”, afirma Marcos Mion

“Meus filhos não vão pra escola na pandemia”, afirma Marcos Mion

Sonia Racy

09 de agosto de 2020 | 00h50

SUZANA GULLO E MARCOS MION COM OS FILHOS – FOTO: GY ALVEZ

Em muitas das lives que faz, a família de Marcos Mion é um dos elementos centrais. Pai coruja assumido, o apresentador já escreveu três livros sobre paternidade, um dedicado a cada filho. Desde que teve o primogênito, Romeo, que é autista, Mion está em uma missão: melhorar a vida de pessoas e famílias que convivem e têm essa condição. Em setembro, volta a apresentar o reality show A Fazenda (Record), com cuidados redobrados pra evitar contágio pela covid-19. “Sempre existe risco, mas estou seguro porque tomaremos todas as precauções”. Leia abaixo a entrevista sobre paternidade com o apresentador.

Você escreveu três livros sobre paternidade. Além de ser apresentador, ser pai também é sua maior vocação?
O engraçado é que antes de eu querer ser artista, de eu querer ter qualquer ambição profissional, eu já queria ser pai. A memória mais distante que eu tenho sobre querer ser pai foi no meu aniversário de 16 anos, quando eu cortei o bolo, o meu pedido foi ter um filho antes dos 20. Tive o Romeo com 24. Hoje eu entendo que a maior obra que um ser humano pode fazer para honrar sua existência é colocar na Terra uma continuidade que seja uma pessoa incrível, com valores.

Ter a Lei Romeo Mion, que cria uma carteira de identificação para pessoas autistas, sancionada, foi um reconhecimento do seu trabalho de conscientização para essa questão?
Foi um enorme passo, mas não é uma batalha ganha. A questão da conscientização popular não acaba, por mais que eu tenha dado grandes passos. A carteira de identificação era um sonho meu. O que eu penso é que Deus não gastou a argila comigo, estou realmente fazendo uma coisa que vai ficar, para ajudar as pessoas. Enquanto eu tiver um ar dentro do meu corpo vou viver pelos meus filhos.

Já passou por situações difíceis com seu filho por essa falta de identificação?
Já, muitas. O autismo não tem cara, não é como síndrome de Down, que fica evidente, ou uma deficiência física, que você bate o olho e vê. Passei por situações de preconceito velado e também por situações de ignorância de profissionais. Isso porque é meu filho e eu sou um cara conhecido. Imagina o filho de todo mundo? E se eu não estiver aqui, como é que vai ser pro meu filho?

Você costuma mostrar em lives muitas situações em família com momentos leves e divertidos com o Romeo. Acha que isso ajuda a diminuir o estigma do autismo?
Essa é a única razão pela qual eu faço. Sinceramente, não sentiria nenhuma diferença na minha vida postando nas redes sociais ou não. Todas as vezes em que eu posto o Romeo e escrevo sobre o autismo, eu tiro dúvidas. Mostrá-lo inserido dentro das atividades que muita gente até não saberia se ele seria capaz ou não, é um incentivo para as famílias de autistas. Quando uma família recebe um diagnóstico de autismo muitas vezes fica desacreditada e desesperançosa porque não sabe qual vai ser o futuro do filho. Mas quando veem um post divertido, às vezes vale muito mais do que uma campanha escrita com termos técnicos e porcentagens.

O que acha do plano de volta às aulas durante a pandemia?
Não acredito que seja o momento de voltar (Governo de SP anunciou retomada de aulas presenciais para 7 de outubro). As coisas estão tão estranhas que as pessoas estão lidando com a pandemia como se ela tivesse passado já. Sei que a escola dos meus filhos está fazendo um planejamento forte em parceria com o governo, mas não vou mandá-los na pandemia. Vou fazer o home schooling. Não quero ser cobaia, prefiro ver como funcionará e entrar depois. /MARCELA PAES

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