Mercado não se esquenta com a conversa sobre crise

Sonia Racy

06 Junho 2017 | 01h45

A temperatura política sobe e desce, no País, em um ritmo mercurial. Mas o mercado, mesmo sem saber se Temer sai ou fica, parece algo alheio. Prova disso foi o comportamento da bolsa brasileira ontem, véspera do julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE: permaneceu neutra.

O que se percebe, nesses meios financeiros, é que pouco importa se um eventual sucessor do presidente – caso este saia – se chame Rodrigo Maia, Tasso Jereissati, FHC, Nelson Jobim ou quem mais entrar na briga.

Na lei da bolsa, tudo fica ótimo
se economia mantiver o rumo

O que predomina, para esses atores do mercado, é a certeza de que, no caso de eleição indireta, quem ficar no lugar de Temer não terá coragem de mexer na atual equipe econômica.

Da qual, aliás, espera-se que assuma a responsabilidade de levar adiante sua tarefa de pôr ordem na casa.

Diretas com Lula são mau presságio,
mas mercado aposta na Lava Jato e investe  

E se, por inesperados caminhos, passar a eleição direta? Nessa hipótese, o mercado tem duas saídas rigorosamente opostas. Percebendo alguma chance de Lula voltar à cena, o pânico estará instalado. Mas se o petista for condenado em segunda instância, o mercado dispara, como já vem ameaçando fazer.

É bastante sintomático o fato de os investidores estrangeiros estarem apostando com toda força no Brasil.

Diferentemente dos nacionais, que vivem o desgaste do dia a dia da Lava Jato.