Mercado modelo

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Sonia Racy

06 de abril de 2013 | 01h11

Roberto Abdenur, presidente do Etco (Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial) – que completa 10 anos –, avisa estar preparado para um desafio do tamanho da Copa do Mundo de 2014: combater a pirataria de produtos associados ao tatu-bola Fuleco e cia.

A entidade, que ele dirige há cerca de um ano, luta por um ambiente de negócios mais saudável no País e ajudou a criar, entre outros, o Programa Cidade Livre de Pirataria e a Nota Fiscal eletrônica – “mas os desafios à frente ainda são muitos”, avisa.

Ex-embaixador em Pequim e Washington, Abdenur conversou com a coluna na sede do instituto, em SP, e fez questão de ressaltar: “Não existe bala de prata que resolva todos os problemas do País”.

O Etco luta por uma economia e um mercado mais justos. Como se faz isso?

Principalmente, combatendo a sonegação fiscal, porque ela priva os governos de recursos para políticas públicas essenciais e distorce as condições de funcionamento da economia. Quem sonega impostos obtém vantagens indevidas, ilegítimas, em relação a quem cumpre suas obrigações.

Mas a carga tributária não é excessiva? Ela não atrapalha a vida de quem quer ser ético?

Sem dúvida nenhuma. É injustamente alta. A carga média de tributos sobre medicamentos, por exemplo, é de quase 34%. Isso leva à ideia de que temos um estado vampiro – que suga o sangue das pessoas das quais deveria tratar.

A mais recente ação do Etco é o código bidimensional de rastreabilidade para remédios. Como está isso?

A Anvisa acaba de abrir consulta pública. Esses são problemas muito sérios – a falsificação de medicamentos, a sonegação e o roubo de cargas de remédios. Com esse código, que será impresso em todas as embalagens, será mais fácil rastrear os lotes. Evitando esses problemas, a indústria vai gastar menos com seguro, por exemplo.

O Etco é a favor da política de queda de IPI para alguns setores da economia?

Desonerações setoriais são importantes, e o governo já percebeu a necessidade disso. Mas ainda vivemos dos chamados voos de galinha, temos de recuperar o tempo perdido.

Na opinião de um ex-embaixador em Pequim, como o empresariado brasileiro faz para concorrer com a China?

A China é inevitável. Está em todas as partes. Nosso problema não é erigir barreiras contra produtos chineses. Precisamos é tratar da nossa capacidade produtiva.

Qual a palavra-chave para o Brasil mudar?

Transparência. Temos de ampliar a consciência de maior ética, de compliance, de responsabilidade social e administrativa. Criar um ambiente de negócios em que a virtude compense mais do que o pecado. Pecadores sempre haverá, mas tendo a crer que os virtuosos estão prevalecendo. /DANIEL JAPIASSU

Foto: Paulo Giandalia/Estadão

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