Meirelles: ‘Lula me pediu para ficar até fim de 2010’

Meirelles: ‘Lula me pediu para ficar até fim de 2010’

Redação

01 de outubro de 2009 | 07h30

Quem imagina que terá como saber antes de março, com algum grau de certeza, qual o destino político de Henrique Meirelles, se engana. É muito mais fácil adivinhar a trajetória da taxa de juros, que certamente vai subir no ano que vem.

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Diferentemente do que acontece com as expectativas de mercado, administradas por meio de sinais emitidos nos comunicados oficiais do BC, Meirelles – virginiano da gema – se programou para não dar dicas claras sobre seu futuro. Sua agenda diária, hoje, é de candidato. Mas suas palavras se restringem às do presidente do BC.

Esta, ao menos, foi a impressão que deixou anteontem à noite entre os convidados de Betty e Marcos Arbaitman. O presidente do BC – agora peemedebista de carteirinha -chegou ao jantar em sua homenagem, em São Paulo, com meia hora de atraso. Veio diretamente da sua conversa com Lula.

Pouco depois, introduzido por Arbaitman, Meirelles brincou com o anfitrião – “Ele é político, eu não…” – e fez rápido discurso, destacando o Brasil como a nova estrela do mundo. Enfatizou que o País vai sair da crise mais forte do que entrou. E comparou a preparação antecipada da economia para crises com os cuidados que se deve ter com um paciente com predisposição a um ataque cardíaco. “Não basta só o diagnóstico, tem que haver prevenção, hospital preparado, monitoramento de possibilidades”, dissertou. Microfone na mão, diante de uma platéia de mais de 100 pessoas, fez, no entanto, uma advertência: o Brasil precisa preservar sua política monetária e fiscal evitando “soluções fáceis”. Dirigentes de bancos foram minoria no jantar. Entre eles, Luiz Trabuco, Márcio Cypriano, José Safra, Manuel Tavares, Geraldo Carbone e José Olympio Pereira.

Em conversa depois, com a coluna, revelou que Lula tocou em dois pontos: economia e política. “Acredito que o Brasil, entre os três grupos que hoje integram o planeta, está no que tem uma economia consolidada, crescendo, tendo como companhia China, Índia e Coreia.” As outras categorias? “Existem os que estão vendo o fundo do poço logo à frente e se preparando para sair e os que já começaram a crescer.”

Eventual candidatura a partir de março e a possibilidade de deixar o BC? “Lula me pediu para ficar até dezembro de 2010.” O que o senhor respondeu? Meirelles desconversou mas sabe-se que ele vai avaliar, com o presidente, a sua posição até dezembro deste ano.

O fato é que a especulação correu solta noite adentro. Meirelles sairá candidato ao Senado? Ou será vice de Dilma com a promessa – no caso de a candidata de Lula não emplacar – de vaga garantida no Banco Mundial? Enfim, entre os convidados, uma só certeza: candidato a governador de Goiás, Meirelles não será.

Banqueiros e empresários presentes acreditam que, teoricamente, ele tem condições de manter a presidência do BC e de estar filiado a um partido, no caso, o PMDB. Na prática, admitem que ele não terá como evitar ruídos e especulações no mercado financeiro.

Unanimidade mesmo é que, assim que ele optar pela política, deve deixar o cargo. Mas como deixar o cargo com três diretores do BC querendo sair também?

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