Mediar é preciso

Mediar é preciso

Sonia Racy

31 de julho de 2014 | 01h10

Foto: FLICKR.COM/FLIPFESTALITERARIA

Além de crítico literário, historiador e editor, Ángel Gurría-Quintana é o mediador mais pop da Flip. O mexicano participou de mesas bem marcantes ao longo desses anos de festa, como a de Pola Oloixarac e valter hugo mãe, em 2011. Frequentador de festivais literários, Angel afirma que embora nem todos os autores sejam “bons de palco”, o mediador nunca pode esquecer que o evento é do escritor. Nesta edição, participa de três mesas: com Etgar Keret e Juan Villoro; Daniel Alarcón e Fernanda Torres; e com Jhumpa Lahiri.

A seguir, os melhores trechos da entrevista que ele concedeu à coluna.

Você é o mediador mais popular da Flip, em Paraty. Como se prepara para as mesas com os escritores?

A primeira parte do desafio é saber quem são os autores, ler os livros – normalmente, estão lançando algum título específico na Flip – e entender o que esse livro novo significa na obra dele. Outra parte é pesquisar sobre a vida, ler outras entrevistas e saber se há um tema de que gostam ou não de falar.

As mediações são alvo de críticas em quase todas as edições da Flip. Como fazer com que a conversa seja proveitosa para autor e público?

Temos de lembrar que o autor é alguém que escreve e que nem sempre é bom de palco. Claro que os escritores, cada vez mais, fazem parte do circuito de festivais literários e se preparam para isso. Entretanto, muitos não gostam de aparecer. Nesse momento, um dos deveres do mediador é ajudar o autor a ficar à vontade. Às vezes, dá azar, o autor não está em um dia bom. Outras vezes, o mediador fala demais. Depende. O importante é lembrar que o evento pertence sempre ao autor, não ao mediador.

O humor ajuda?

Claro, em qualquer situação. Ficamos à vontade quando podemos rir um pouco. Ajuda a quebrar a tensão no palco.

Qual foi a mesa mais marcante nesses anos de Flip?

Tenho passado os últimos dias lembrando muito da participação da Nadine Gordimer, que morreu no dia 13 de julho. Tive a sorte de estar na mesa que ela dividiu com Amós Oz. Para mim, foi um desses encontros mágicos. Meu papel lá era ficar quieto (risos). Foi uma conversa muito rica, cheia de nuances e afeto entre eles, embora não concordassem em todos os pontos.

E como você aprendeu a falar tão bem o português?

Aprendi porque me casei com uma mulher meio mexicana e meio brasileira – filha de mãe mineira. Tive de aprender português muito rápido, não para conquistar minha mulher, mas para conquistar minha sogra (risos) /MARILIA NEUSTEIN

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: