‘Me sinto perto da perfeição’

‘Me sinto perto da perfeição’

Redação

16 de novembro de 2009 | 08h15

Na briga pelo domingo e agora dona de editora, Eliana avisa: se um dia precisar apelar para ter audiência, ela abandona a TV

Eliana

Eliana quer provar que a imagem da menina frágil, que aos 16 anos estreou na televisão, é coisa do passado, bem distante da mulher madura, da empresária aplicada e bem sucedida que cuida pessoalmente da carreira e dos negócios. “As pessoas confundem uma pessoa boa com uma pessoa tola, ingênua. A escolha entre ser boa ou má é uma questão de caráter e não tem a valer com tolice ou ingenuidade.”

Em uma ano de desafios, no qual trocou de emissora para competir com os grandes comunicadores do domingo, a apresentadora também se lança em nova empreitada – a criação da Masterbooks, editora especializada em cultura pop. O primeiro livro chega às livrarias em dezembro e leva a assinatura da fotógrafa Priscila Prade. Em tempos de celebridades instantâneas, ela ressalta que manter-se há 21 anos na mídia requer um perfeccionismo quase obsessivo. “Eliana é minha marca e o meu maior bem. Cuido dela como as grandes empresas cuidam das suas.” É assim, com voz mansa, ideias claras e uma equipe enxuta e afinada que ela gerencia mais de 180 itens licenciados com seu nome.

Da onde surgiu a ideia da editora? Do desejo de deixar alguma coisa para a sociedade que não necessite necessariamente de minha participação. Quero imortalizar a cultura pop, seja na música, na arte, nos costumes. Não tenho nenhum tipo de preconceito e estou extremamente aberta a ouvir tudo e receber os profissionais de todas as áreas. A Priscila me apresentou o projeto pronto: um ensaio feito para a revista da MTV, em que os artistas se inspiravam em seus ídolos internacionais. Eu apenas viabilizei. Está será a minha função dentro da editora.

Já existem novos projetos? Estão nos planos um livro sobre a trajetória do coreógrafo Ivaldo Bertazzo e outro de arte urbana.

Sua vida está como você sonhava? Sempre quis ser artista. Desde os três anos imitava o que via na TV. Fui uma garota muito esperta e extrovertida, tendo de um lado uma mãe dando força e do outro, um pai completamente contra. Consegui agradar aos dois: fiz faculdade de psicologia, até o terceiro ano, e realizei meu sonho. Comecei como modelo de campanhas publicitárias até entrar para a segunda formação da Patotinha, no final dos anos 1970. Tudo começou ali, inclusive a minha relação com a TV. Conheci o Silvio Santos em 91 e ele me convidou para apresentar um programa. Fiquei no SBT por sete anos – um período importantíssimo. Depois recebi um convite da Record, onde fiquei outros 11, até esse meu retorno, agora, para o SBT.

E a transição para o público adulto? Não faço programa para o público adulto. Falo para a família. Por isso, a transição foi mais suave. A escolha de uma atração que mescla entretenimento com informação foi intencional. Para que as crianças pudessem assistir.

É difícil disputar o espaço onde só os homens fazem sucesso? O feminino na TV aberta está no matinal ou em programas de entrevistas. Sou a primeira mulher a entrar nessa guerra dominical. Tenho certeza absoluta de que muita gente não acreditava no sucesso do meu programa. Só eu mesma nunca tive dúvidas.

Existe um bom relacionamento com seus concorrentes do domingo? Infelizmente, por questões óbvias, por sermos muito ocupados e vivemos em função do nosso trabalho, a vida social acaba ficando um pouco restrita. Mas, certamente, há um respeito. Já trabalhei com Gugu e fui convidada algumas vezes para ir à casa de Fausto Silva

Você tem total liberdade no seu programa? Artista sem liberdade não tem criatividade. Quando fui contratada pelo Silvio Santos, o programa já tinha um formato com o meu DNA profissional. Uma forma muito clara, que pretende tirar a pessoa do universo em que ela vive no dia a dia.

Tem algum projeto para fazer algo mais cult na TV? Confesso que tenho essa vontade: fazer um programa mais segmentado, que não daria para ser em um canal aberto. Lá faço arte e eles, negócio. Na TV a cabo poderia fazer algo sem essa preocupação do lucro. Por exemplo, algo voltado para viagens ou questões culturais.

Como reage à crítica? Acredito que a crítica sempre foi coerente comigo. Dedico minha vida à minha profissão. Sou uma empresária, uma mulher muito séria. Tudo o que eu falo e faço realmente tem uma verdade. E, de alguma forma, as pessoas reconhecem isso.

E ao Ibope? Ele é uma consequência. O importante é fazer um trabalho em que acredito, que amo e que está sendo entendido pelo público. E dando também resultado comercial para a emissora. Posso dizer que estou numa fase próxima da perfeição, ao meu modo de ver. Garanto que no dia em que precisar apelar para ter audiência vou sair da televisão.

Qual a relação entre sorte e sucesso? Tenho um bom olho para escolher os profissionais que me acompanham. E sorte em manter essa equipe comigo.

Já pensou em ser atriz? Ser ator ou atriz é uma coisa complexa. Como é complexo, também, qualquer pessoa achar que pode ser apresentadora. Tenho 20 anos de carreira e acho curioso quando vejo alguém dizendo “sou modelo”, ou “sou apresentadora”. Não por preconceito, mas pela falta de tempo para poder se denominar como tal. Tive uma única experiência como atriz, que foi no meu filme, onde interpretei eu mesma. Claro que se eu recebesse um convite olharia isso com bons olhos. Mas precisaria ter tempo para estudar e me preparar. Não entro numa sala de aula para ganhar nota 5.

Como você se completa no ciclo pessoal? Não tenho nenhum tipo de constrangimento em dizer que sou vaidosa. O belo é falado há milênios. E sempre muito bem vindo. Acho importante me cuidar: quero estar bem agora e daqui a vinte anos.

Qual o maior luxo que o dinheiro lhe trouxe? Não sou embriagada nem pelo sucesso, nem pela fama ou por dinheiro. Tenho meu pé no chão. Venho de uma família simples e posso garantir que se tudo isso acabar vou ser a mesma pessoa. O que minha conquista financeira me trouxe de bom foi poder viajar, aprimorar meus conhecimentos. Essa é a melhor maneira de usufruir o dinheiro que ganho com o meu trabalho.

Qual a receita do sucesso? Sorte e muitas, muitas horas de trabalho. Além de manter os meus ideais.

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