Marília Pêra pede passagem

Marília Pêra pede passagem

Sonia Racy

16 de fevereiro de 2015 | 01h02

Marília Pêra se preparava, na noite de sábado, para mais uma estreia. Não nos palcos, onde está acostumada a pisar desde os 4 anos. Aos recém-completados 72, a atriz atravessaria, pela primeira vez, o Sambódromo do Anhembi, homenageada pela Mocidade Alegre.

“É como uma estreia no teatro, mas, desta vez, fico só de maravilhosa (risos)”, brincou. “Prefiro fingir que não é comigo. Imagina dizer aquelas palavras todas me homenageando? É melhor fingir que sou eu quem estou homenageando alguém, a Bibi (Ferreira), por exemplo…”, emendou, entre um gole e outro de Gatorade de laranja. “Mas tem tudo a ver essa homenagem vir de São Paulo. Antigamente, eu me sentia mais amada em São Paulo do que no Rio.” E hoje em dia? “Tomara, né?”, disse a carioca do bairro de Rio Comprido, onde foi rainha dos bailes do Minerva e do Astória, clubes locais, e desfilava no Bafo da Onça. “Tomávamos o bonde até a Praça Tiradentes, com lança-perfume na mão. Ainda era um carnaval ingênuo. O primeiro desfile em uma escola grande foi só em 1972, no Alô, Alô, Carmem Miranda, que deu o título ao Império Serrano.”

O convite do carnavalesco Sidnei França veio justo no momento em que Marília já não ia para a avenida havia quatro anos – e também se recuperava de um desgaste dos ossos do quadril, que a impediu, durante um tempo, de mexer a perna direita, tamanha era a dor. O sofrimento a fez emagrecer, em pouquíssimo tempo, quase 5 quilos. “Cheguei a pesar 42.”

Mas a proposta era irrecusável. “Carnaval é coisa para gente jovem. Velhinho tem de assistir ou ser homenageado (risos). Chega uma certa idade em que não é mais para ficar indo para o carnaval, porque é muito desgastante, muito cansativo. Mas, quando veio o convite, não tinha como dizer não.” Marília fez dois únicos pedidos: desfilar em carro e que sua fantasia fosse leve. E o estilista Isak Rodrigues atendeu a ambos como uma ordem. O look total red ganhou um toque de Chanel, a pedido da atriz – que emprestou ao designer um chapéu parisiense de alta-costura.

Já no quarto 439 do Holiday Inn, quando Junior, o maquiador, chegou, Marília já tinha feito a base da maquiagem sozinha, colado os cílios postiços e escolhido o aplique que usaria no cabelo. “Sou do tempo em que as bailarinas faziam as próprias maquiagens. Para mim, isso de ter maquiador e cabeleireiro é desses últimos 15 anos, talvez”. Antes de sair para a avenida, fez questão de soltar o famoso “merda, merda, merda”, aquele dos grandes atores. /THAIS ARBEX

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