Marcello Dantas debuta na moda como curador da SPFW, em formato 100% digital

Marcello Dantas debuta na moda como curador da SPFW, em formato 100% digital

Sonia Racy

23 de junho de 2021 | 00h35

Marcello Dantas. Crédito: Bob Wolfenson

Marcello Dantas foi escolhido para fazer a curadoria da 51º edição da SPFW, que começa hoje. É a primeira vez que o curador de arte produz um evento fashion. “Minha expertise não é moda, que é uma coisa que apenas gosto”, contou ele, em conversa por e-mail com a coluna.

Para montar o evento nesse formato 100% digital, Dantas desenhou encontros online e rodas de conversas em duplas, escolhendo nomes como Ronaldo Fraga, Oskar Metsavaht, Luiz Claudio e Fernanda Yamamoto. “Vamos abordar desde a questão da alimentação saudável até o debate da identidade racial”, adianta o curador.

Paulo Borges – criador da SPFW – também respondeu como está sendo fazer, pela segunda vez, a semana de moda brasileira – quinta maior do mundo – 100% digital. Confira a seguir.

MARCELLO DANTAS

Como curador de arte, como foi sua experiência neste novo trabalho com a SPFW, um evento de moda, 100% online e em plena pandemia?
A prática da curadoria é como criar uma criança.  Você pega um ser ainda frágil e leva ele para se preparar para um mundo novo.  Criar crianças na pandemia com certeza foi um desafio maior do que fazer essa curadoria.  Minha expertise não é moda, coisa que apenas gosto, mas sim, criar conexões para provocar pensamentos e construir pontes.  Acho que o desafio é tirar as pessoas de uma zona de conforto e oferecer novas oportunidades de linguagem e de como expressar ideias.  A moda tem um papel importante em simbolizar um tempo e estamos vivendo um momento carente de imagens que nos sintetize.

Como pensou nas duplas de conversas dos encontros criativos e nesta convergência entre eles?
Pensei em assuntos que acho que são desafiadores nesse momento e, em seguida, tentei juntar quem no mundo da moda poderia se sensibilizar pelos temas. Os assuntos são alimentação e nossa capacidade de nos protegermos através dela, a expansão dos territórios de consciência da mente humana com os psicodélicos em especial os cogumelos, a questão de identidade racial e afirmação do espaço da expressão e novas formas de organização social através das tribos modernas que criam identidades coletivas.  Os designers foram Ronaldo Fraga, Oskar Metsavaht, Luiz Claudio e Fernanda Yamamoto.

Como colocar o evento num caminho de criação de algo desejadamente novo?  
O novo ocorre quando misturamos ingredientes nunca antes combinados.  É dessas interações imprevisíveis que existe a chance de algo novo surgir, ou simplesmente nada pode acontecer também.  Mas, se a gente desistir de misturar e interagir, é que com certeza nada novo pode ocorrer.  No SPFW estamos provocando fricções novas com desafios diferentes para designers, ativistas e pensadores na esperança de que surja pelo menos uma nova consciência.

O que se perde e o que se ganha com o evento ser online ?
Ganha-se audiência e acesso democrático. Perde-se em qualidade imersiva e memória presencial.  Tudo são trocas.

PAULO BORGES

Paulo Borges. Crédito: Gustavo Zilberstein

Como está sendo fazer uma semana de moda 100% online?
Um grande aprendizado. O mundo estava se tornando cada vez mais digital, e a pandemia acelerou isso. Temos as redes, novas formas de expressão e veiculação, o e-commerce, tudo em plena expansão. A próxima edição, em novembro, será híbrida, com eventos físicos, e também digital. O digital é um caminho sem volta. Chegou para ficar, e conviver com o físico.

O que se perde e o que se ganha com isso?
Ganhamos impacto, atingimos mais pessoas. Na última edição impactamos mais de 45 milhões de pessoas através do digital, 58 milhões de pessoas via impresso além de mais de 2 milhões de interações. Com a convivência física que esperamos retomar em breve, só temos a somar. /SOFIA PATSCH

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