MAM ganha novo curador e mostras inéditas na retomada

MAM ganha novo curador e mostras inéditas na retomada

Sonia Racy

11 de julho de 2020 | 00h40

MARIANA BERENGUER – FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Desde que assumiu o MAM, em 2019, Mariana Berenguer já tinha em mente solidificar o sistema online da instituição. Veio a pandemia, a advogada acelerou o processo e o resultado é um crescimento significativo nas redes sociais e acessos ao site. Também preparado para retornar as atividades presenciais quando possível, o museu tomou algumas decisões. Entre elas, a escolha de seu novo curador, Cauê Alves (que foi do MuBE) – por meio de um longo processo de entrevistas – e definiu exibição dos trabalhos de Antonio Dias na sua reabertura, ainda sem data definida. Leia a primeira entrevista da presidente da instituição, desde que assumiu o cargo.

Quais são os desafios de manter um museu com uma mudança de paradigmas tão grande como o que ocorreu com a pandemia?
O Brasil vive um cenário de profundo luto, além da explicitação da desigualdade social e seu aprofundamento. E isto, naturalmente, nos impacta ainda mais no campo da arte e cultura. A sustentabilidade dos projetos será um desafio ainda maior pós-pandemia, uma vez que somos uma instituição privada, sem fins lucrativos e dependemos da captação de empresas parceiras que provavelmente estarão com seus resultados comprometidos.

Como conseguir isso?
Penso que a mobilização da sociedade será determinante para darmos uma resposta articulada em relação ao papel da arte. A pandemia legitimou a necessidade de nos apoiarmos como comunidade e os museus farão parte desta retomada.

Há novidades para este ano ou 2021, com a possível normalização da situação?
Na reabertura do museu, ainda sem data definida, traremos a exposição Antonio Dias: Derrotas e Vitórias, mostra de 60 obras com curadoria de Felipe Chaimovich. Será a primeira retrospectiva de Antonio Dias, após seu falecimento. E o grande diferencial é que trará obras que o próprio artista colecionava. Também apresentaremos a mostra coletiva dos 20 anos do Clube de Colecionadores de Fotografia do MAM, também com curadoria de Eder Chiodetto e uma edição especial de aniversário com obra de Mario Cravo Neto. Ainda nesse retorno, teremos o Projeto Parede do Museu mostrando a obra roçabarroca, de Thiago Honório – trabalho em que o artista vai revestir as paredes do corredor, entre as salas expositivas, com taipa e pau a pique, utilizando galhos de madeira secos recolhidos no Parque Ibirapuera.

Conte como foi o processo de escolha do novo curador…
Realizamos um modelo inovador e inédito na história do MAM para selecionarmos um novo curador. Apesar da triste surpresa ocasionada pela pandemia, o processo todo foi muito rico, com candidatos muito preparados, entrevistas estimulantes e projetos bem significativos. Ao final, entendemos que o perfil mais adequado era o de Cauê Alves. Mestre e doutor em Filosofia pela USP, ele já colaborou em diversas atividades no museu e tem conhecimento do nosso acervo.

E os acessos online, aumentaram muito nesses tempos?
A experiência física nas visitas aos museus é insubstituível mas o online é um importante complemento. Um dos objetivos quando assumi o carga era ampliar nossa presença no universo online. Só no último mês, entre 1 de junho e 1 de julho, o site recebeu 54.888 visualizações, computou 3.185 novos acessos na página de tour virtual e ganhou 14.305 novos usuários. No Instagram, temos um total de 185.298 seguidores e, destes, 5.990 são novos. No Facebook, estamos com 124.236 seguidores, sendo 1.565 maiores em relação ao período anterior à pandemia.

Qual, na sua opinião, o futuro do setor cultural?
Foi um dos primeiros a suspender as atividades e será um dos últimos a voltar por completo, em virtude do nosso modelo de atuação. O retorno será gradativo e com longo processo de retomada. Acredito que o propósito dos museus será reafirmado no mundo pós-pandemia, em especial no que diz respeito às repercussões de questões de saúde mental que provavelmente se agravarão. A arte já se mostrou potente neste campo, a exemplo da atuação, no passado, de Nise da Silveira com a arte terapia.
\MARCELA PAES

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