Mais procurados, guias espirituais e religiosos adaptam atendimentos na pandemia

Mais procurados, guias espirituais e religiosos adaptam atendimentos na pandemia

Marcela Paes

16 de maio de 2020 | 00h38

REGINA HELENO MARIANO / ARQUIVO PESSOAL

Diferentemente da maioria das pessoas, que viu a vida mudar consideravelmente com a pandemia, a astróloga Regina Helena Mariano manteve a rotina de trabalho. Aliás, desde que a quarentena começou em vários países, ela – que cursou letras, filosofia e mestrado em psicologia – teve aumento de 20% na procura de seus serviços. O fenômeno também acontece com diversos guias espirituais e religiosos que se mantêm ativos durante o isolamento adaptando as consultas, atendimentos e conversas a distância. Na TV Aparecida, por exemplo, a transmissão da missa em domingo do mês de abril, chegou a atingir o segundo lugar na audiência no Brasil.

“Eu sempre fiz a maioria dos atendimentos online, por skype. Nesse aspecto não mudou muito, mas os questionamentos das pessoas, sim. Aparecem mais perguntas sobre valores éticos, por exemplo, ‘o que esperar da situação do Planeta’, ‘como lidar com isso’. Não são mais questionamentos completamente individuais”, conta a astróloga.

Para Helena, que viveu na Suíça por muitos anos e tem clientes estrangeiros, há diferenças entre as preocupações dos brasileiros e dos europeus. “Da Europa me perguntam mais sobre a incerteza profissional”, explica. “Por aqui, uma das maiores angústias é com a política brasileira, ainda mais do que com o coronavírus em si”, afirma a astróloga.

JUAN GUERRA / ESTADÃO

O ator Odilon Wagner, um dos fundadores do Grupo Socorrista de Castelã que existe há mais de 30 anos, em São Paulo, tem mantido reuniões com 130 trabalhadores do centro espírita via Zoom, com a mesma frequência de sempre. “Passe a distância não existe, mas vibração de energia, sim”, assegura. O centro está atualizando seu site e pensa em realizar lives com palestras para que os frequentadores não fiquem desamparados. A queixa de solidão e falta do convívio social, principalmente com os companheiros kardecistas, estão entre as maiores dificuldades relatadas.

PAI RODNEY – FOTO: DENISE ANDRADE/ AE

Pai Rodney, antropólogo, escritor e babalorixá, mantém sua mesma média: cinco atendimentos por dia, quando joga Búzios por chamada de vídeo e faz ebós a distância. Ele conta ter ajuda da família, também iniciada no candomblé, para preparar oferendas, que são transmitidas por vídeo.

Também tem indicado muitos banhos de descarrego. “Bastante gente nova tem me procurado mas também clientes antigos, que nas últimas semanas, ficaram mais angustiados com a situação. Entretanto, clientes antigos, acostumados com o rito presencial, estão mais resistentes ao atendimento online”, explica.

Para o babalorixá, umas das maiores dificuldades de pessoas que o procuram têm sido lidar com a questão da morte – com o agravante de que muitos ritos foram restringidos para evitar a disseminação do coronavírus.

“No candomblé, em que os ritos fúnebres são muito específicos, nós já estávamos acostumados com as restrições por conta dos preconceitos. No momento, essas mudanças na maneira como nos despedimos dos mortos têm afetado mais aos católicos”, diz Rodney.

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