Maia, Alcolumbre e Dias Toffoli pregam economia liberal em Nova York

Sonia Racy

16 de maio de 2019 | 00h34

RODRIGO MAIA E DAVI ALCOLUMBRE. FOTO: LUÍS MACEDO/AGENCIA CÂMARA

RODRIGO MAIA E DAVI ALCOLUMBRE. FOTO: LUÍS MACEDO/AGÊNCIA CÂMARA

Poderes unidos

O seminário promovido pelo Lide, ontem de manhã, em NY, mostrou mais força que a festa da Câmara Brasil-EUA. Os discursos feitos em sequência pelo “trio” Davi Alcolumbre-Rodrigo Maia-Dias Toffoli foram no mesmo tom, pregando os mesmos caminhos da economia liberal – mostrando que, num momento político incerto e um tanto fragmentado, dois dos três poderes, Legislativo e Judiciário, exibem coerência e propósitos comuns.

Poderes 2

O tom sur tom foi registrado publicamente pelo presidente do Lide, Luiz Furlan. “Há anos que não vejo os poderes se tratarem tão afavelmente”, constatou o ex-ministro, que já foi Person of the Year há alguns anos.

Desconfia-se que, se Bolsonaro estivesse presente, tal união não viria à tona. Investidores gostaram da coerência mostrada.

Voo direto

Consta que Maia, Alcolumbre e Toffoli voltam amanhã para o Brasil – sem escala em Dallas.

Mudar é preciso

Consenso geral na iniciativa privada: a Câmara Brasil-EUA terá que reformatar o seu prêmio, instituído há 50 anos. Não pelo efeito Bolsonaro e sim em consequência da rapidez com que conceitos e tempos estão mudando.

Em tempo: a lista dos que vão esperar Bolsonaro em Dallas, hoje, soma quase 300 pessoas.

Não participa

Experiente em manifestações de peso, no padrão “Fora Dilma”, o Vem Pra Rua descarta aderir aos atos contra contingenciamento de verbas na educação. “Como vou pedir para o governo não contingenciar e também não fazer a reforma da Previdência?”, indaga Adelaide Oliveira, líder do VPR.

A pauta do VPR, diz ela, “é a da responsabilidade fiscal, não lhe cabendo dizer onde contingenciar ou não”.

Por Lula

Já o MBL sugeriu, nas redes, que os atos agora são “um pretexto para os ativistas que querem Lula livre”.

Contra-ataque

O Senado foi rápido no gatilho: já tem quatro projetos contra a lei da posse de armas. Juntou-os em um só e pediu urgência – deve decidir direto no plenário.

Franqueza

A fala de Luís Barroso, ontem, no tradicional ciclo de palestras que o Itaú promove há 15 anos, em NY, sempre perto da data da premiação da Person of the Year, foi ouvida com atenção pela plateia de investidores estrangeiros e brasileiros.

Quem escutou o ministro do STF ponderou que ele talvez tenha sido franco demais – e tenha insistido muito na “corrupção sistêmica” instalada “desde que Dom João VI transferiu sua corte” para o Brasil. Ele comparou o País com “um viciado tentando se livrar do vício”.

O futuro promete?

Ao fim do discurso de 40 minutos em inglês, Barroso listou três caminhos para um futuro melhor. O da integridade: não desviar dinheiro, não passar outros para trás e convencer o setor público de que eles “não são sócios do País”. O segundo, o da responsabilidade fiscal– e o terceiro, pela responsabilidade social.

Impedido

Logo no início, o ministro explicou que já advogou para o banco e que, portanto, se vê impedido de julgar casos que o envolvam. E brincou, bem humorado, dizendo que aceitou o convite de Candido Bracher para falar em NY em troca de dois tickets para o Rock in Rio, festival patrocinado pelo Itaú…

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