Lula tem medo de voar

Redação

10 de junho de 2009 | 08h34

Lula admitiu: tem medo das alturas, mesmo sabendo que o Aerolula é seguro e que recebe boa manutenção da Aeronáutica. “Confesso que estou com uma certa paúra”, avisou, em jantar anteontem, na casa de Michel Temer, para os participantes da IV Conferência Legislativa sobre Liberdade de Imprensa. “Acho que vou mandar mudar a rota para Genebra”, brincou, sobre a viagem que fará semana que vem.

Mas foi sua única brincadeira sobre o assunto. O presidente revelou que tem falado com Nicolas Sarkozy sobre o acidente do Airbus – “só esta semana, duas vezes” – e elogiou o “trabalho dignificante” da Marinha no caso.

Lula garantiu que o novo PIB, que confirmou a recessão técnica, não o preocupa: segundo ele, já há sinais de que a economia voltou a decolar. Repetindo Guido Mantega e Henrique Meirelles, garantiu que os índices refletem um período anterior – e, portanto, são defasados. E reiterou sua profissão de fé no sistema de câmbio flutuante.

Outro de seus temas foram as cassações de governadores, que no modo atual não lhe agradam: “Cassar alguém meses antes do fim do mandato, para ele voltar daí a pouco, em nova eleição?” Ao seu lado, o presidente do STJ, César Asfor, concordava: “Ou bem há motivos para cassação, e a ela corresponde a perda dos direitos políticos, ou não há motivo para cassar.”

O presidente também não gosta da ideia de uma Constituinte exclusiva para a reforma política: “Quanto mais se protela, mais se abre espaço para essas teses.”

Gilmar Mendes e José Sarney, também presentes, viviam momentos opostos. Enquanto o presidente do STF era festejado por criticar os julgamentos feitos com base no clamor público, o do Senado mantinha-se mais reservado, dentro da sala, sem circular pela ampla área externa onde a conversa fervia.

“Está frio lá fora”, dizia Sarney, que não escondeu a satisfação pelo êxito da cirurgia de Roseana.

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