Lula e as margens plácidas

Redação

01 de dezembro de 2009 | 10h01

Um filme tucano sobre Lula. Essa talvez tenha sido a melhor definição ouvida sábado, no estúdio Vera Cruz, depois da pré-estreia de Lula, o Filho do Brasil. Ela saiu da boca de um dos 40 convidados da família Barreto. Responsável pela produção do longa, o clã alugou dois ônibus para transportar patrocinadores e amigos até São Bernardo, onde foi feita a exibição para um público de mais de 2 mil pessoas. A maior parte, gente da região, sindicalistas e companheiros históricos de Lula.

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Mas só os convidados VIPs puderam presenciar a chegada de Lula e Dilma em um espaço reservado. Circularam por lá ministros como Miguel Jorge, Paulo Bernardo e Patrus Ananias, senadores como Aloizio Mercadante e Eduardo Suplicy e José Dirceu, entre outros. A maior parte, com suas famílias.

O filme, na opinião de muitos, não traduz a vitalidade de Lula. Na busca por explicações para essa dissonância, a coluna conseguiu uma “técnica”.

Como os 35 primeiros anos de Lula foram muito marcantes, poderia soar exagerado contá-los ipsis litteris. As cenas pareceriam inverídicas. Daí a impressão de alguns de que a produção… tucanou.

A viagem da família Silva em um pau-de-arara, de Garanhuns até Santos, foi quase plácida. Morre alguém no trajeto, este é enterrado e ninguém fica sabendo de quem se trata e qual é o motivo.

A morte da primeira mulher de Lula, grávida de sete meses e já em São Paulo, também não é explicada. Suspeitou-se, na época, de displicência médica. O PT chegou a explorar eleitoralmente o episódio – mas a cena no filme transcorre sem muitas concessões ao drama. Lula ao perder o dedo chorou, mas não mostrou revolta. E Dona Lindu, que divide o protagonismo do filme com Lula, só teve olhos para este filho durante a vida? “Parece álbum de família”, destacou outro convidado, diante da suavidade com que foi narrada a aventura de sucesso do metalúrgico.

O que achou dona Marisa? Ela repetiu que gostou – já havia visto o filme em Brasília – mas que há partes com as quais não se identifica. E, ao lado do irmão da primeira mulher de Lula, Lambari, ouviu: “Olha, minha irmã era muito mais bonita que a Cléo Pires.” “Mais ainda?”, perguntou D. Marisa. “Assim não dá…”

E Lula, o que achou? Chorou, a exemplo de outros companheiros. Convidado pela coluna a dar sua opinião, preferiu não comentar. “Vou deixar a poeira baixar.” Em seguida, pediu a Luiz Carlos Barreto, uma cópia para rever no seu trajeto até Lisboa. “Não fizemos para evitar pirataria, mas vou providenciar”, prometeu. Lula não resistiu: “Ué, este filme não vai ter cópia pirata?”

O ambiente nos estúdios era quente: os ventiladores foram desligados por causa do som ruim. E ninguém entendeu por que uma tradutora para surdos e mudos, presente durante os discursos do prefeito Luiz Marinho, do emocionado diretor Fábio Barreto e de Luiz Carlos Barreto, não ficou para “traduzir” o filme sem legenda.

Sobre o caso Cesar Benjamin, nenhuma só palavra.

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