Lobão: voz solitária

Lobão: voz solitária

Sonia Racy

06 de julho de 2013 | 01h16

Lobão (Foto: André Lessa/Estadão)

Lobão chegou à Flip, ontem, para participar da programação paralela da festa, com seu livro O Manifesto do Nada na Terra do Nunca, da editora Nova Fronteira.

Antes de sua mesa, na Casa da Cultura de Paraty, recebeu a coluna. Entre outras, ele compra briga com Paula Lavigne a respeito do Ecad e afirma que vai escrever um adendo na obra – sobre as manifestações que tomaram as ruas do País.

O que achou da aprovação, no Senado, do projeto que regula o Ecad?

Um absurdo. Estatizar o Ecad, criar 200 cargos comissionados? Quem é que vai escolher essas pessoas? O poder público, que nos deve milhões, junto com a Globo e as telefônicas? Esses caras passaram por cima de 14 mil assinaturas contra e agora me acusam de ir contra a classe artística. Eles não são a classe artística. Não foi feita uma assembleia, mas um petit comité na casa da Paula Lavigne. Que está atrás disso junto com o empresário do Roberto Carlos, Dodi Sirena. É coisa de empresário. E aí eles falam que estou do lado do Ecad. Não é isso. Todos nós queremos uma fiscalização, e quanto mais transparência melhor, mas a Paula Lavigne não me consultar e me acusar, no Twitter, de estar do lado do Ecad e ser “formador de quadrilha”… Ela está pronta para levar um processo já, já.
Mas qual é a alternativa?

Antes de pensar na arrecadação propriamente dita, tem de moralizar a execução. Não podemos nos esquecer de que somos o país do jabá. Como um país infestado pelo jabá vai ter a dignidade de uma política de arrecadação se essa arrecadação já é fraudulenta desde o início?

Você pode adiantar como será o adendo do seu livro?

Vai se chamar Terra de Ninguém na Terra do Nunca. Porque meu livro foi meio visionário. Há um mês, fui chamado de reacionário, então vou colocar isso e falar das manifestações. Elas começaram sem foco, viraram uma coisa apartidária e, agora, estão muito segmentadas: tem manifestação dos médicos, dos caminhoneiros, da catraca. Virou uma “micaretice” absoluta. /MARILIA NEUSTEIN

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