Livros, racismo e zika

Sonia Racy

02 Julho 2016 | 01h50

Pedro Herz, da Livraria Cultura, questionou o projeto de lei que tramita na Câmara, que prevê uma cota de 30% de exposição de livros nacionais nas vitrines das livrarias: “Quero ver o fiscal que vai checar isso”, disse o livreiro. “Como é que uma editora vai me provar que o autor é brasileiro? Vai mostrar a certidão de nascimento? Outro dia, conheci um brasileiro que se chama William Shakespeare. E aí, como faz?”, indagou. “A solução para aumentar a leitura são os pais, não a quantidade de livros na vitrine”.
Enquanto se discute o mercado do livro na Flip, a editora Sextante comemora. O livro Lava Jato – O Juiz Sergio Moro e os Bastidores da Operação que Abalou o Brasil, de Vladimir Netto, já foi para segunda impressão. Foram vendidos 4.627 exemplares em duas semanas. O livro foi recomendado pelo próprio Moro a José Carlos Ugaz, da Transparência Internacional.

O embaixador britânico Alex Ellis esteve em Paraty, anteontem, participando da programação da Shakespeare House. E comentou o Brexit: “Agora vamos trabalhar nas relações com outros países. As relações podem mudar mais com os europeus. Com o Brasil, por exemplo, nem tanto. Mas é para isso que existem os diplomatas”.

Já o neurocirurgião britânico Henry Marsh, também convidado, preferiu falar sobre os cuidados com a zika. “Acho que é bem grave. Comprei repelente em Londres, mas esqueci de trazer. No entanto, acabei de voltar do Nepal, onde há muitos riscos e não tomei muitos cuidados. Na verdade, não sou muito cuidadoso e nunca uso capacete ao andar de bicicleta por Londres. Não podemos viver evitando os riscos”.

Depois de visitar um quilombo, anteontem, Lázaro Ramos deu mais detalhes à coluna sobre o livro que vai escrever. “Será sobre identidade, racismo e a minha percepção sobre os debates étnicos no Brasil”. Indagado sobre a falta de negros como autores convidados à festa, arrematou: “Para sermos uma nação completa, precisamos pensar sempre na inserção da diversidade, de gênero, étnica. É um compromisso que o Brasil tem que assumir na Flip e em todos os lugares”. /MARILIA NEUSTEIN