Bresser e o direito de crescer

Redação

22 de outubro de 2009 | 10h27

Para crescer, é preciso ser nacionalista. E, além disso, ter uma estratégia nacional de desenvolvimento. Foi esse o recado central de Luiz Carlos Bresser-Pereira à platéia de economistas, professores e alunos que foram ouvi-lo anteontem na Livraria da Vila – onde lançou, pela Campus, o livro Globalização e Competição.

“Mas eu falo de um nacionalismo como o inglês, o sueco… não tanto o dos americanos”, advertiu. “Significa uma sociedade inteira pensar na mesma direção, que é se desenvolver. Coisa que já fizeram tantos outros países, que faz a China.”

“Eu me considero um economista estruturalista keynesiano”, definiu-se. Não poderiam faltar, na sua fala, as farpas ao neoliberalismo, tão caro a certos ninhos tucanos. Rodeado de amigos como Yoshiaki Nakano e Fernão Bracher, o ex-ministro afirmou que “para os neoliberais, um país só cresce quando garante a respeitabilidade dos contratos”. Ora, rebate ele, “o Brasil respeita os contratos muito mais que a China, mas esta é que cresce bem mais. Por quê? Porque ela tem uma estratégia nacional de desenvolvimento”. Não mencionou que isso é mais simples de conseguir em regime ditatoriais.

O livro – que para honrar o título sai também em inglês e francês – fala do desafio entre Estado e globalização, de crescimento com poupança externa e até da… doença holandesa. Que aparece em países como Venezuela ou Iraque, donos de uma grande riqueza, como o petróleo, e que não se desenvolvem.

Por fim, atacou o populismo cambial. Aquele pelo qual “a inflação cai, os salários se valorizam e você é reeleito”.

Por Gabriel Manzano Filho

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