Antecipada brava

Redação

18 de agosto de 2009 | 07h38

Em conversas pelo mercado financeiro ontem, esta coluna apurou que o “lançamento” da candidatura de Henrique Meirelles ao governo de Goiás, por Lula, foi mal recebido. “Imagine se o Arminio Fraga, ainda no BC, resolvesse disputar o governo do Rio e recebesse bênção pública de FHC. O que o PT teria feito? No mínimo, pediria o impeachment do presidente”, observa um conhecido banqueiro.

Realmente, a coisa é estranha. Por exemplo: em termos técnicos, há quem considere que a entrada de Meirelles, sexta, na batalha entre a Fazenda e os bancos privados por juros menores, já é reflexo de sua opção. Meirelles declarou publicamente acreditar que os bancos privados terão de seguir os bancos públicos, ampliando a oferta de crédito e reduzindo a taxa de juros.

Fala-se também que parte da alta dos juros futuros para 2011, negociados na BM&F, é resultado da forma como está sendo conduzida a opção do presidente do BC.

Pelo jeito, Meirelles, daqui para a frente, terá que dar muitas explicações para suas ações e as do BC – coisa que pode colocar a diretoria em situação delicada. As apostas foram abertas: até quando o político-presidente segura esse rojão? Boa parte do mercado acha que ele sai do governo bem antes de março.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.