Lava Jato

Sonia Racy

07 de maio de 2014 | 01h06

Leonardo Meirelles, dono oficial do laboratório Labogen, decidiu: vai entrar na Justiça contra o investidor Pedro Paulo Leoni Ramos – que formalizou ter desistido de ser sócio da empresa. “Havia um acordo para tanto. Além disso, ele não integralizou o investimento na nossa fábrica recém-construída, que consumiu R$ 9 milhões”, contou à coluna Meirelles, em conversa, ontem, no escritório do advogado Thiago Sayed, no bairro da Saúde.

E confirmou: vai demitir Marcus Moura, indicado pelo PP, segundo o executivo.

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Outro investidor, o doleiro preso Alberto Youssef – que se comprometeu a comprar, em sociedade com o PP, 80% do laboratório em Indaiatuba assim que ficasse pronto – tampouco liberou o recurso.

Mas dele Meirelles parece não guardar mágoa. “Eu entendo. Faz um ano que Youssef está com dificuldades financeiras”.

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Após uma longa exposição sobre como o laboratório trabalha, Meirelles fez questão de dizer: “Não sou laranja, não sou sócio do Padilha”.

Informa que só esteve com o ministro uma vez, na assinatura de contrato no Ministério da Saúde. Mas confirma que foi várias vezes à sede da pasta, em Brasília.

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O que fazia antes do Labogen? “Trabalhei em um laboratório por um ano.” Qual? “Não vou revelar, trazendo outros personagens para essa história.” Vender o Labogen? “O laboratório EMS se interessou, foram visitar o local, gostaram e desistiram.”

Quanto vale a empresa? Segundo Meirelles, R$ 120 milhões – “por causa de licenças vitalícias de importação”.

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Meirelles comprou o laboratório em 2008, dois anos depois de a família Machado de Campos ter adquirido a empresa, que, antes, pertencia à família Quércia. Pelo valor da dívida, de US$ 54 milhões.

O laboratório estava desativado. E, desde então, não mais funcionou. “A nova fábrica só ficou pronta agora”, explica. Mesmo assim, a dívida despencou para US$ 10 milhões. Como conseguiu isto? “Renegociando dívidas”.

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Meirelles nega ainda a importação de bebidas, joias, instrumentos musicais e tecidos – como consta no relatório da PF – ou ter destruído provas. Alega responder na Justiça como pessoa física por evasão de divisas. “Não há nada contra o Labogen.”

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