La Bündchen de volta, com livro da carreira

La Bündchen de volta, com livro da carreira

Sonia Racy

31 Outubro 2015 | 01h30

gisele

Em abril passado, sob o mote “The best is yet to come” – “o melhor ainda está por vir” –, Gisele Bündchen anunciou que deixaria as passarelas. Seis meses depois, a top volta ao Brasil, dia 6, para lançar um livro, pela Taschen, com mais de mais de 300 fotografias de sua carreira, com curadoria e direção de arte de Giovanni Bianco. A modelo e empresária respondeu às perguntas enviadas pela coluna por e-mail. De antemão avisou que não falaria sobre família ou o marido, o jogador de futebol Tom Brady.

Algum dia você achou que seria a top número 1 do mundo?
Nunca imaginei que chegaria onde estou hoje. Trabalhei intensamente, queria ser a melhor que eu pudesse ser e dei 100% em tudo que fiz. Também escolhi focar no lado positivo de qualquer situação.

O que significa ganhar dinheiro para você?
Para mim o dinheiro traz alguns confortos. Mas de forma alguma é minha motivação.

Como administra sua carreira?
Sempre fui muito intuitiva e, em muitos momentos em que tive que tomar decisões importantes, me deixei guiar pelo coração. Tenho o privilégio de trabalhar com minhas irmãs, acho que formamos um supertime, e com outras pessoas de extrema confiança que estão comigo há anos.

Morando fora por anos, como você vê a situação do Brasil hoje?
É triste ver que o País está passando por tantos desafios. Falta saúde, segurança, educação… Infelizmente, também há muita corrupção e é preciso rever muitas coisas. Mas, muitas vezes, nestes momentos de dificuldade é que acontecem as mudanças necessárias.

Algum estereótipo da mulher brasileira a incomodou na sua carreira internacional?
Sempre fui muito profissional no trabalho e nunca abri espaço para qualquer comentário ou desmerecimento em relação à mulher brasileira. Pelo contrário, houve até um momento forte das modelos brasileiras no mercado da moda cujo apelo era de um visual saudável.

Estamos passando pela maior seca da região Sudeste. Você é conhecida pelo seu engajamento do meio ambiente. Como enxerga essa situação?
Há anos vem se falando sobre a importância de se preservar os recursos naturais, não desperdiçar o que temos, controlar o desmatamento, poluição, aquecimento global. Infelizmente, para conseguirmos ter mudanças efetivas e substanciais, muitas vezes, é preciso sentir as consequências na pele, só assim se consegue entender a importância de tudo isso. Como sociedade, temos que reavaliar as nossas prioridades. De que adianta tanta tecnologia e bens materiais se não tivermos um planeta para viver?

O que os seus fãs poderão ver no seu livro?
Facetas de diversos personagens, lados diferentes meus, minhas diversas cores. Quis fazer algo que mostrasse um pouco de tudo o que vivi neste meio, dos papéis que interpretei, de uma forma alegre e com muita personalidade. Tentamos reunir materiais dos mais importantes fotógrafos e artistas do mundo com os quais trabalhei e o resultado foi um livro artístico bem diversificado. Mostra a Gisele glamourosa, sensual, super maquiada e, também, a Gisele despojada, mais natural, moleca, bem jovem, cara lavada… Apesar de ser um livro de imagens, mostra um pouco desta jornada dos meus últimos 20 anos de carreira.

Há uma forte onda feminista em voga hoje. Você se considera feminista?
Acredito na igualdade de direitos, não só entre mulher e homem, mas de classes, religião, cor da pele, opção sexual. Somos todos seres humanos, estamos todos conectados com este universo e merecemos ser tratados com respeito e amor.

O que acredita ser o maior desafio para as mulheres?
Para mim foi conseguir achar equilíbrio na minha vida depois de ser mãe. Conciliar filhos, marido, trabalho e ainda ter tempo para cuidar de mim. Esse é um desafio diário e para conseguir dar conta é preciso planejamento, organização e muita dedicação.

Que mulher que você considera um exemplo e por quê?
Minha mãe. Para mim, um exemplo de mulher batalhadora. Ela sempre trabalhou fora e conseguiu criar 6 filhas com muita dignidade.

Morando nos EUA, mãe e praticante de esportes, o que acha da campanha de Michelle Obama, Let’s Move, contra a obesidade infantil?
Acho essencial. Temos hoje muito comodismo, a modernidade nos trouxe luxos que antigamente não existiam. As crianças têm acesso às mídias eletrônicas desde cedo, no passado costumavam ser muito mais ativas. Brincavam na rua, caminhavam até a escola, as famílias cozinhavam as refeições em casa, onde geralmente serviam comida fresca… Hoje se come mais comidas industrializadas e, em muitos casos, as refeições são trocadas por lanches. Acho que esse modelo precisa ser revisto. A saúde é o nosso bem mais precioso. / MARILIA NEUSTEIN