José Olympio anuncia a Bienal da esperança

José Olympio anuncia a Bienal da esperança

Sonia Racy

11 de julho de 2021 | 00h50

José Olympio da Veiga Pereira. Foto: Giovanna Querido / Fundação Bienal de São Paulo

 

Com a abertura dos museus ao público, José Olympio da Veiga Pereira, presidente da Fundação Bienal de São Paulo, prepara a 34ª edição para ser presencial. Tema? “Faz escuro mas eu Canto” e previsão de inauguração em 4 de setembro. “Quando os curadores pensaram na Bienal e usaram essa frase do verso do poema do Thiago de Mello, achei super apropriado aos tempos atuais. Ela reconhece a situação de dificuldade que a gente vive, mas ao mesmo tempo dá uma sensação de esperança”, explica o também conselheiro do MAM-Rio, do MASP, do MoMA (Nova York), da Tate Modern (Londres) e da Foundation Cartier (Paris) à coluna.

Entre os destaques da exposição, sob a curadoria-geral do italiano Jacopo Crivelli Visconti, estão indígenas contemporâneos como Jaider Esbell, Daiara Tukano e nomes conhecidos como Pierre Verger e Giorgio Morandi. Ao todo são 91 artistas de 39 países.

Em 2020, a Bienal foi adiada e, no meio tempo, diversas iniciativas mantiveram o evento vivo. Ela comemora ainda 70 anos com podcast e posts nas redes contando capítulos marcantes da sua história.

De uma família de livreiros que vem desde a editora José Olympio, até a Salamandra e a atual Sextante, esta fundada por dois irmãos, o carioca ama as artes e trabalha no mercado financeiro. O presidente do Credit Suisse no Brasil – deixa o cargo no fim do ano – montou, em parceria com a mulher Andrea, uma das maiores coleções de arte contemporânea no mundo. Confira a seguir parte da conversa com o colecionador.

A pandemia estará refletida na Bienal?

Eu vejo nessa abertura da Bienal um sinal e um início de volta à normalidade. Todas as regras sanitárias serão obedecidas, distanciamento social, uso de máscara, mas, a partir de setembro, esperamos que esteja voltando à normalidade. Então, faz escuro, mas cantamos porque esperamos que amanhã clareie e que esse escuro vá embora.

O evento vai ser híbrido, presencial e online?

Estou bem animado que nós conseguiremos ter uma experiência presencial, como, aliás, está acontecendo na rede de museus de São Paulo neste momento. E a visita virtual também estará disponível.

Não lhe parece que o presencial faz parte do DNA da Bienal?

Faz parte. No ano passado foi discutida a possibilidade de fazê-la virtual. Ficou decidido que não era o caso, era melhor passar a exposição coletiva para este ano.

O que esperar?

Haverá toda uma tipografia nova da Bienal em salas, ambientes envoltos em peles de diferentes materiais. Eu não quero dar spoiler não, acho que tem que chegar lá e ver. Mas a tipografia é um dos pontos altos e o trabalho do escritório de arquitetura Andrade Morettin foi sensacional.

E as outras atrações?

Giorgio Morandi, o grande pintor italiano, Antonio Dias e Regina Silveira. Haverá um conjunto grande de trabalhos do Lasar Segall, mais voltados para o fim da vida dele, onde ele já chegava perto da abstração. E também obras de artistas contemporâneos indígenas como o Jaider Esbell, com a série dos Kanaimés, que são 11 quadros sobre esses espíritos que se apoderam das pessoas, mais trabalhos de Gustavo Caboco e Daiara Tucano. A representação de artistas indígenas está muito bacana.

Houve desafios para montar o evento nas condições atuais?

Começamos a montar com antecedência para que pudesse ser feito com todo cuidado. Achávamos que vários artistas não poderiam vir para abertura, e um número muito grande de artistas virá. Também na nossa coletiva de imprensa, antes da abertura, já temos confirmação de um número grande de jornalistas internacionais, críticos, que virão para ver a mostra. Então estou cautelosamente otimista com o rumo que as coisas estão tomando, torcendo pra que a gente não tenha nenhuma reversão de variante, de outra onda.

A Bienal ocorrerá como sempre no seu pavilhão do Ibirapuera?

Sim, mas esta edição será realizada também em rede, ou seja, 25 outros museus da cidade estarão fazendo exposições conectadas com a Bienal. Um exemplo, o Giorgio Morandi estará sendo mostrado na Bienal, na coletiva, ao mesmo tempo estará sendo mostrado no CCBB, numa individual. O Pierre Verger estará na Bienal e no Tomie Ohtake. E por aí vai. A Bienal não se realizará apenas no pavilhão do Ibirapuera, mas vai abraçar São Paulo.

Como está a programação digital do aniversário da Bienal?

Todo dia vamos ter no nosso Instagram um post celebrando os 70 anos da Bienal, com depoimentos de celebridades, de artistas, de pessoas dizendo o que a Bienal representou para elas, qual foi sua edição preferida. Estamos muito ativos nisso. Além disso, fizemos um podcast, uma série de dez capítulos narrados pela Marina Person, que será divulgado todos os sábados daqui até a abertura, contando a história da Bienal.

E qual foi a sua Bienal preferida nestes 70 anos?

A minha Bienal preferida foi a 23ª, em 96, com curadoria do Nelson Aguilar. Me apaixonei por nomes como a venezuelana, Gego, que tinha uma sala toda branca, com uma grande malha instalada, para entrar era preciso tirar o sapato e botar protetor. Havia Louise Bourgeois, com a famosa aranha gigante, trabalhos de Anish Kapoor, Paul Klee, Wifredo Lam, Waltércio Caldas com uma obra extraordinária. Houve várias outras bienais que eu adorei, mas essa me marcou profundamente.
/ PAULA BONELLI

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