JHSF abre novo shopping híbrido neste sábado nos Jardins

Sonia Racy

01 de dezembro de 2020 | 00h40

José Auriemo Neto – Foto: Denise Andrade/Estadão

Com investimento de R$ 180 milhões e parceria com a XP Malls (o braço de shoppings da XP é dono de algo como 30% do empreendimento), a JHSF abre dia 5, o CJ Shops Jardins, reafirmando o DNA do bairro. “Trata-se de uma região que concentra hotéis, bares, restaurantes, galerias de arte, livrarias, importante para a cultura e para a moda. É o primeiro destino dos turistas que vêm visitar São Paulo”, explica José Auriemo Neto em conversa com a coluna. Idealizador da empreitada, que visa atender a alta renda da cidade, Zeco – como é conhecido – informa que os investimentos do Grupo no shopping foram feitos por meio de capital próprio.  

A data prevista para abrir a casa era julho. A pandemia, segundo Auriemo, atrasou a inauguração. Mas não foram necessárias modificações no projeto e ele nasce integrado, desenhado para funcionar simultaneamente em sistema digital e físico. “Vamos ter lojas só com showrooms e estoques em outros locais”, exemplifica. 

O mix desenhado não morre nesta primeira concretização da ideia: vai ser replicado no Itaim, no mesmo endereço onde funcionava a Casa Fasano. “Em um prazo de quatro meses, a gente deve começar a segunda construção do shopping no bairro, neste modelo”.  

O modelo atende o mundo do luxo pós-pandemia? “Existe uma adaptação para atender a comodidade dos clientes e os empreendimentos em geral já estão mais focados em oferecer áreas verdes e se possível, sob céu aberto. Preservamos, no CJ Shops Jardins, aquela área do antigo restaurante Fasano, trazendo esse conceito para dentro do shopping. Todos corredores têm céu aberto e com ventilação natural”, diz Auriemo, acreditando que este tipo de empreendimento será mais compactado. Ele concorre com o Cidade Jardim? “Não, vemos São Paulo como várias cidades. E é cada vez mais difícil pro cliente andar de uma região pra outra.” 

Auriemo conta que o imóvel no Jardins tem 6 mil metros quadrados e 66 lojas, todas elas tailor-made. Exemplos: a Hermès criou a Hermès Box, a Pucci está lançando mundialmente novo modelo de butique e a Osklen vai ter uma concept store só com coleções de passarela e destinada a conceitos e projetos criativos, “como se fosse uma galeria de arte”, emenda o empresário. 

O Fasano, por sua vez, criou a primeira loja Seleziona Fasano, que traz uma edição de produtos próprios. “O Rogério e sua equipe estão empenhados nisso”. Serão abertas também lojas internacionais exclusivas na América do Sul: Inès de la Fressange, primeira loja fora da França da ex-modelo e ícone da moda parisiense, Isabel Marant; primeira Balmain masculina no mundo fora de lojas de departamento; e a primeira Sease fora da Europa – essa vai abrir em fevereiro. A marca masculina foi fundada pelos irmãos Franco e Giacomo Loro Piana – donos da fabricação e de lojas de cashmere batizadas com o sobre nome dos dois.  

Inauguram também a primeira loja “phygital”, do e-commerce CJ Fashion – primeiro marketplace de alto padrão de um shopping no País. “Os clientes, ante uma mesa virtual colocarão os produtos escolhidos e terão todas as informações sobre eles. Experimentarão lá, com espelhos virtuais, e receberão em casa”, explica. 

O shopping terá área dedicada exclusivamente aos sapatos. No quesito gastronômico, as novidades são o Roi, primeira empreitada em São Paulo do grupo carioca dono do Posì, L’Atelier Mimolette e Picci. Bem como o Caviar Kaspia, famoso e icônico restaurante parisiense. 

É fato que as lojas instaladas em shoppings não voltaram ao faturamento de antes da pandemia. Mas isso está melhorando. O Shopping Cidade Jardim, para se ter uma referência, no mês de setembro, teve 16% de crescimento de vendas em relação ao ano passado, segundo Auriemo. “É difícil fazer uma projeção, não temos maiores informações sobre a vacina, não há segurança pra gente arriscar antever o futuro. A tendência, entretanto, é a de uma retomada consciente, de compras, de consumo. Faz parte deste quadro o fato de que clientes estão viajando muito menos. As vendas das grifes estrangeiras crescem, mesmo como o dólar adverso. Oferecem vantagem de poder pagar em dez vezes”, completa. 

 

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