‘Já passei da fase de me incomodar com crítica’, diz Ana Maria Braga

‘Já passei da fase de me incomodar com crítica’, diz Ana Maria Braga

Sonia Racy

29 de setembro de 2017 | 00h50

DIVULGACAO/TV GLOBO

Acostumada a dar um up motivacional na manhã de quem a assiste na televisão desde os tempos em que trabalhava na Record, Ana Maria Braga resolveu recrutar ajuda para a missão. Com participantes como Prem Baba, Nizan Guanaes e Marcelo Gleiser, ela lançou a plataforma Receitas de Vida – com vídeos sobre autorrealização, saúde física e emocional e outros temas relacionados. A apresentadora conversou com a coluna.

Qual a sua relação com esse conteúdo de autoajuda? Você sempre gostou ou costuma procurar em determinados momentos da sua vida?
Eu não gosto do termo autoajuda. Ele foi gasto e mal usado durante muito tempo. E o meu projeto não é de autoajuda. Quando eu fui considerada curada do câncer e recebi propostas de editores para fazer um livro de autoajuda, no sentido de motivar as pessoas a acreditarem que podem vencer problemas, era uma oportunidade de vender muitos livros. As pessoas acompanharam toda a exposição disso, eu mostrei tudo, falei toda a verdade. Por isso eu achei que já tinha falado tudo que era necessário falar. Na verdade eu não estava curada, porque são necessários dez anos para se ter certeza de que a doença não voltará.

Mas o site seria o quê, então?
Eu sempre tentei motivar as pessoas a acreditarem que o dia pode ser melhor. Com o “acorda, menina”, por exemplo. Eu faço isso desde a Record e sempre tive retorno disso. A resposta das pessoas a esse estímulo me motivou. Mas eu não me sentiria bem de fazer esse projeto sozinha, só eu falando. Ficaria pobre. Existem milhões de pessoas capazes de dar outras formas de olhar o mundo e não só a minha. Aí nasceu a ideia de convidar pessoas de várias áreas para fazerem o conteúdo do site.

O momento ruim que o País vive influenciou a ideia?
Nunca foi tão necessário termos esse respiro. Para qualquer lado que se olha, em se tratando de política nacional, se vê mentira, enganação. Com isso nós perdemos a capacidade de acreditar no outro – e com a crise financeira, a falta de emprego… Eu acho que nós temos que, pelo menos, ter um refresco. Histórias factíveis, coisas reais… É um alívio no meio da podridão.

Como você faz para se manter tão otimista?
Eu acredito que tem que melhorar. Depois da meia-noite, não tem mais como escurecer. Eu acho que chegamos ao fundo do poço. Eu vivo um dia de cada vez. Depois do câncer isso foi exacerbado em um milhão.

Muitas coisas que acontecem no programa reverberam na internet. A que você atribui isso?
Eu tenho site há muito tempo! Sou muito ligada a esse universo. Fui uma das primeiras a me interessar por essa ferramenta da tecnologia e venho surfando algumas ondas. A da internet é uma. Eu brinco muito no programa, sou espontânea. Acho que isso traz os jovens… Não é proposital, mas eu gosto muito. Não tenho medo de errar nem de perguntar quando não sei, então a coisa fica solta. Quando acontece uma bobagem qualquer, eles morrem de rir e eu também. Não me incomoda em nada, já passei da fase de me incomodar com crítica. O retorno tem sido bom. Eu me divirto. Ninguém me diz para pôr camiseta com hashtag ou fazer coisas para ter esse retorno. As ideias são minhas mesmo. /MARCELA PAES

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