Irã, cinema e feminismo

Irã, cinema e feminismo

Sonia Racy

22 de maio de 2010 | 06h11

torangok

Não foi fácil para Torang Abedian concretizar seu documentário Não É uma Ilusão. A história, sobre uma jovem cantora iraniana proibida de se apresentar sozinha em público pelas leis do Irã, levou quase cinco anos para rodar o mundo.

“Nesse período, descobri estar sendo plagiada pelo diretor Bahman Ghobadi e pelo câmera que trabalhou para mim”, conta a iraniana. Ghobadi vendeu seu filme para 43 países e entrou na seleção de Cannes. “Isso só acontece em um país onde não há legislação de direitos autorais, principalmente para as mulheres.”

No Irã, ela explica, toda obra de arte precisa de autorização do governo para ser realizada. Torang conseguiu permissão para filmá-lo, mas não para exibi-lo em sua terra natal. Hoje, a cineasta apresenta seu longa no Itaú Cultural. A seguir, trechos da entrevista:

Como é ser artista no Irã em tempos de Ahmadinejad? Está cada vez pior. É um governo de uma única voz. Isso promove muita tensão econômica, social e artística. Acredito que só vai piorar. As mulheres estão esquecendo que têm voz.

O que representa para você a prisão de Jafar Panahi, cineasta iraniano preso recentemente? Inadmissível. Acima de tudo, Panahi é um símbolo do cinema iraniano. Antes dele voltar ao Irã, ficou interessado em assistir meu filme. Mas foi preso.

O que acha dos países europeus que estão proibindo o uso da burca? Sou contra obrigar a usar e obrigar a não usar. A proibição só intensifica o desejo do uso e alimenta a raiva. No Irã acontece o mesmo: por sermos obrigadas a vestir o véu, muitas mulheres não querem. Acredito na liberdade de escolha.

O Brasil acertou no apoio ao Irã na questão nuclear? Não acompanho de perto, mas pessoalmente acho que pesquisas nucleares não deveriam ser feitas por nenhum país. Entretanto, se outros países podem, o Irã também deveria poder.

Por Marilia Neustein

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