Homenageado pelo príncipe Charles, Naim Attallah lança livro sobre as mulheres de sua infância

Homenageado pelo príncipe Charles, Naim Attallah lança livro sobre as mulheres de sua infância

Sonia Racy

25 de outubro de 2020 | 00h45

Naim Attallah. Foto: Arquivo Pessoal

O escritor anglo-palestino Naim Attallah, 89 anos, lança no Brasil o livro As Senhoras de Nazaré. A novela autobiográfica fala da sua juventude e da força das mulheres diante das adversidades. Aos 15 anos, foi enviado pelo pai para viver com a avó e a tia-avó na cidade de Nazaré, deixando Haifa, durante a criação do Estado de Israel. Hoje, Attallah é proprietário de uma editora alternativa em Londres chamada Quartet Books e recebeu homenagem do príncipe Charles, no Palácio de Buckingham, por suas contribuições à literatura e às artes na semana passada. A seguir, a entrevista realizada com o autor por e-mail.

O que te inspirou a escrever As Senhoras de Nazaré?
Durante a minha infância era o único menino que vivia com três irmãs em uma área predominantemente judaica em Haifa. Meus pais queriam me proteger do conflito entre judeus e palestinos. Então, fui morar em Nazaré onde os árabes eram maioria. Tive uma saúde muito debilitada e uma infância limitada. Não podia nem sair de casa. Por isso, foi tão importante para mim, e para quem eu me tornei, ter ido morar com a minha avó e com a minha tia-avó. A resiliência inesperada que sempre tive foi o que eu aprendi com essas duas senhoras.

Por que foca nas questões femininas?
Fui enviado para uma escola só para meninas, sempre me senti bem trabalhando com mulheres. Tenho um livro chamado Women que são entrevistas que fiz com 300 mulheres. Foi publicado até no Japão.

As religiões mais ajudam ou atrapalham as mulheres?
Eu cresci na Palestina em uma família católica e aprendi que religião dá uma direção e alicerce para as mulheres e homens. Com a religião é possível ter um propósito maior.

/ PAULA BONELLI

 

 

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