Homem do mundo

Homem do mundo

Sonia Racy

27 Fevereiro 2013 | 01h08

Adriana Bittencourt e Christopher Getty (Sonia Racy/Estadão)

Tradicionalmente discreto, Christopher Getty aceitou conversar com a coluna sobre economia mundial. No Brasil desde o começo do ano, acompanhado da namorada brasileira, Adriana Bittencourt (com ele na foto), o neto de Jean Paul Getty, fundador da Getty Oil Company, acredita que o “takeover” da China se dará muito mais rápido do que se prevê. “Os chineses não precisarão de mais 20 anos para ultrapassar os norte-americanos, mas, sim, de 4”, analisa o gestor de gigante fundo de private equity fechado.

Para ele, o mundo passará rapidamente de unipolar (leia-se EUA) para multipolar: tanto econômica quanto política e militarmente. Em 2050, bem… a China pode fazer com que o mundo volte a ser unipolar.

E onde foi que os Estados Unidos erraram a mão? “O principal equívoco na história econômica do país se deu em 1971. Nixon não podia ter rompido o acordo de Bretton Woods”, destaca o economista. Assinado em 1944, o acordo foi responsável pela implantação de uma ordem monetária negociada entre Estados – baseado no dólar e no ouro. O então presidente norte-americano quebrou esta relação.

Para o herdeiro – que ainda não recebeu a herança, mas já acumulou o suficiente para viver muito bem, tendo trabalhado na Getty Investment Company por anos – o futuro está na Ásia. “Eles serão os novos consumidores do mundo”. E o Brasil? “Será beneficiado por essa mudança, não tenho dúvida.”

À beira da piscina do Hotel Fasano, no Rio, Getty não revela seus segredos de gestor, mas dá o parâmetro de sua ambição. “A Getty Oil Company registrou 19% de retorno, em dólar, para seus investidores durante 75 anos. Por que não sonhar com o mesmo resultado?”, brinca.

Getty não tem residência fixa; vive pelo mundo, trabalhando de onde estiver. Quem sabe não escolhe o Brasil para se estabelecer…