“Hoje caberia O Rappa voltar, sim”

“Hoje caberia O Rappa voltar, sim”

Sonia Racy

27 de dezembro de 2019 | 00h31

CANTOR FALCÃO. CRÉDITO: RODOLFO MAGALHÃES/DIVULGAÇÃO

Ex-vocalista de uma das mais bem-sucedidas bandas dos anos 1990, Marcelo Falcão, de O Rappa, começou a gravar o segundo disco solo. Contou do desejo de cantar com Ivete Sangalo e Roberto Carlos. Na rua, é cobrado sobre a volta da banda, que terminou em abril de 2018, rachada. “Hoje caberia O Rappa voltar, sim”, diz Falcão. Aos 46 anos, ele não faz planos, mas daqui a 5 anos O Rappa fará 30 anos. “É mais legal você falar que demos um tempo do que ‘a banda acabou’. Se os quatro Rappa se juntarem, é uma bomba musical”. Neste fim de ano, o cantor faz outro caminho de volta: é a atração principal do réveillon oficial de Noronha, gratuito. Habitué da ilha, para onde já foi com namoradas famosas, deixou de ir nos últimos sete anos. Desta vez, volta casado com Erika Bauchiglione, cidadã australiana, que trabalha com baleias, e com quem teve Tom, de 9 meses.

Bandas icônicas como Titãs, Los Hermanos e Skank anunciaram o fim, como O Rappa fez após 25 anos. O que acontece?
É o timing de cada um. Quando a gente fica num lugar por tantos anos, necessita de um respiro. Quando a gente para, volta mais forte. Cada um parou para fazer suas coisas. Um dia olhei o Los Hermanos, quando parou, e não entendi. Hoje entendo totalmente. Te digo de coração: é mais legal você falar aí (na entrevista) que demos um tempo do que ‘a banda acabou’. Se os quatro Rappa se juntarem, é uma bomba musical. Hoje caberia O Rappa voltar, sim. O que a gente disse um para o outro foi ‘vamos voltar quando tiver vontade’. Los Hermanos fez isso. Acho que o Skank fará.

Você já cantou com o Jota Quest, Iza… Quais outras parcerias ainda gostaria de fazer?
Eu já fiz uma música pensando em Ivete Sangalo e outra em Roberto Carlos. Ia dar um ‘up’ no Roberto, sem deixar de ser ele. Isso já deve ter chegado neles, mas dizer isso aqui a você é pretensão zero minha. As coisas acontecem naturalmente. Você me ligou para esta entrevista e eu estava compondo para um rapper famoso, mas não posso dizer o nome ainda.

Sete anos que você não ia a Noronha, algum motivo especial?
Ali é uma comunidade, envolve faíscas e eu sou amigo de todos. Uma parte se desentendeu… Eu via que dava a calmaria quando eu ia lá e falava com todas as galeras e tocava com todos. Sou de todo mundo. Quem me convidar, eu levo o som.

O que o público pode esperar do show solo?
Estou feliz demais em fazer um revéillon em Noronha de novo. Tenho um amor enorme pela ilha. Podia morar lá. Zé Maria (um dos pousadeiros mais famosos de lá) foi o primeiro a me hospedar. E agora o Rêgo (empresário de eventos Bruno Rêgo) e o Guilherme (Rocha, administrador da ilha) viabilizam esse acontecimento. Faço questão que amigos da ilha toquem comigo. Tenho umas 80 musicas no repertório, mas na hora eu ‘sinto’ e canto. Vou tocar Viver – Mais leve que o ar (álbum solo), mas não poderia deixar de tocar as músicas d’O Rappa, que foi minha vida toda com eles na ilha.

Você namorou famosas como Debora Secco, Isabeli Fontana e Maria Rita. Agora casou…
Isso aí (de namorar artista) já passou. Não foi uma coisa arranjada, foi natural. Foram todas maravilhosas… Foi aprendizado. Hoje sou muito mais feliz. Erika cuida de baleias jubarte na Austrália. São quatro meses de férias, porque as baleias migram. E oito meses no mar. Ela leva pessoas para ver isso. As baleias pulam bem pertinho do barco. É lindo, cara! Meu apelido é Jet, sou acelerado, e me veio Erika, que me deu o Tom. Não ouvir o choro dele me incomoda. Dedico os discos (solo) aos dois.

Qual é sua relação com seus outros dois filhos?
Criei um filho até os 4 anos com uma francesa e depois descobrimos que não era meu. Cheguei a pagar pensão, mas parei. Ele está com 21 anos hoje. Perdemos o contato. E tem a Ágatha, de 20 anos, que eu fiz espontaneamente o DNA (a paternidade foi reconhecida em 2016). Não temos contato, só sobre a pensão, via advogados. (A jovem tem o sobrenome do pai, recebe pensão mas há uma briga judicial por pagamentos retroativos). A vida é aprendizado e vou me moldando. /CECÍLIA RAMOS

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