Guardiã do Palácio

Guardiã do Palácio

Sonia Racy

27 de dezembro de 2012 | 01h00

LUCIANA PREZIA/AE

Ela reza para todos os santos. Em seu gabinete também estão dentes de alho contra os maus fluidos. Mas são os anjos da guarda os grandes companheiros de Claudia Matarazzo. Há quase sete anos à frente do cerimonial do governo de São Paulo, ela acaba de lançar Gafes no Palácio, em que reúne histórias e saias justas vividas ao lado de Serra, Goldman e Alckmin. “Meu trabalho é preservá-los dos micos.”

Jornalista de formação, recebeu a coluna em seu gabinete na hora do almoço, que foi interrompido cinco vezes pelo toque do celular. No dia seguinte, Alckmin teria seis eventos. “Este ano estou especialmente estressada”, confessou.

Você está no Palácio dos Bandeirantes há sete anos. Como foi trabalhar com três governadores?

Nem me fale! Muda completamente de um governo para o outro. Tive que me adaptar. Brinco que sou boa de engolir sapo. Tem que ter um joguinho de cintura. E, em determinados momentos, não tem jeito: tem que entender que a autoridade é o governador.

Foi difícil se adaptar?

Por ter ficado mais tempo com o Serra, acabei me adaptando ao seu jeito. Ele tem um fuso muito particular e que me convinha. Despachava de madrugada por e- mail e, como acordo cedo, já resolvia tudo pela manhã. Era completamente imprevisível, mas funcionava direto. O Goldman era muito rápido e o fácil de lidar. Já o Alckmin é educadíssimo e muito exigente.

E a relação com as primeiras-damas?

Nunca tive dificuldade. Elas têm um gabinete separado. Com a Deuzeni Goldman tinha especial facilidade porque ela é muito minha amiga. Foram nove meses em que a gente se divertiu muito.

Como não interferir no papel de esposa?

Quando é coisa para a esposa decidir, eu deixo. Nem me atrevo. As questões da residência são com elas. Mas cada uma tem jeito também. A Monica (Serra) me pedia “pelo amor de Deus” para resolver tudo. Com a Deuzeni, eu trocava muito. Já a Lu (Alckmin) gosta resolver muita coisa sozinha.

Quando notou que tinha essa vocação ?

Sempre gostei de receber as pessoas, mas nunca imaginei que fosse assumir o cerimonial. É muita responsabilidade e tensão todo dia. Se der errado, ficamos muito expostos. Se der certo, ninguém vai ver.

Com a correria, como manter a serenidade no dia a dia?
Com pilates e massagem. Toco piano, rezo para todos os santos e acredito em anjo da guarda./THAIS ARBEX

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